
Em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal (PF) sobre um suposto esquema bilionário de fraudes em benefícios do INSS, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve retornar nos próximos dias a Madri, na Espanha, onde reside desde meados de 2025, e só deve retornar após 2026.
Investigações e ligações suspeitas
Lulinha passou cerca de três semanas no Brasil durante as festas de fim de ano, período em que não há registros públicos de encontros com o pai. Sua saída do país ocorre exatamente no momento em que a PF apura possíveis vínculos dele com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, que pode ter desviado valores na casa dos bilhões de reais entre 2019 e 2024.
De acordo com informações da PF repassadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), as apurações estão em fase inicial e incluem a análise de depoimentos, mensagens de WhatsApp, anotações, registros de viagens e outros indícios que sugerem que Lulinha poderia ter atuado como “sócio oculto” do empresário no esquema.
Filho de Lula recebia mesada de R$ 300 mil
Testemunhas mencionam supostos repasses mensais de cerca de R$ 300 mil e valores totais que chegariam a R$ 1,5 milhão ou até mais, ligados a empresas conectadas ao “Careca”. Até o momento, a PF ressalva que não há provas materiais concretas que confirmem o envolvimento direto de Lulinha nos crimes.
A defesa de Lulinha classifica as menções como “ilações” e nega qualquer relação dele com o INSS ou com o esquema.
Reação da oposição
Enquanto isso, a oposição não perdeu tempo. Nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, a bancada do partido Novo protocolou um pedido no STF solicitando medidas cautelares contra o filho do presidente, incluindo a apreensão do passaporte e a imposição de tornozeleira eletrônica (como alternativa à prisão). O requerimento, encaminhado ao ministro André Mendonça, é assinado por deputados como Marcel van Hattem (Novo-RS), Luiz Lima (Novo-RJ), Adriana Ventura (Novo-SP), além de senadores como Eduardo Girão (Novo-CE) e Rogério Marinho (PL-RN, líder da oposição).
O argumento central da legenda é o risco de evasão do território nacional, especialmente diante da saída iminente de Lulinha para a Espanha, o que poderia dificultar as investigações e a atuação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que trata do caso.
No mesmo dia, o advogado Jeffrey Chiquini — que representa Filipe Martins (ex-assessor de Jair Bolsonaro) em outro processo no STF — protocolou requerimento separado pedindo a prisão preventiva de Lulinha. O pedido, também distribuído a Mendonça, alega “risco concreto à aplicação da lei penal” devido à saída do país em meio a investigações avançadas, além de indícios de participação no esquema, com base em citações de testemunhas e elementos informativos da PF. Chiquini fundamenta o pleito nos artigos 312 e 313 do Código de Processo Penal e solicita urgência na oitiva do Ministério Público.
Reação de Lula
O presidente Lula já se pronunciou sobre o tema em declarações recentes, afirmando que as investigações serão conduzidas com rigor e que “ninguém ficará livre”. Ele enfatizou: “Se houver envolvimento de filho meu, ele também será investigado”, destacando que parte das apurações corre em sigilo.
O caso, conhecido como Operação “Sem Desconto”, ganhou força nos últimos dias e tem potencial para se tornar um dos maiores escândalos de desvios previdenciários da história recente, com repercussões políticas inevitáveis às vésperas do ano eleitoral de 2026.