
Investigações recentes expuseram uma complexa rede de conexões envolvendo o Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR), familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, a gestora de investimentos Reag (alvo de operações policiais), o Banco Master e suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A ligação inicial com fundos investigados
Em setembro de 2021, dois fundos de investimento administrados pela Reag — Arleen e Leal — adquiriram uma participação no Resort Tayayá por cerca de R$ 20 milhões. Esses fundos foram representados por Silvano Gersztel, executivo investigado pela Polícia Federal por suposta lavagem de dinheiro para o PCC. Na época, o único cotista desses fundos era Fabiano Zettel, pastor e empresário que é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Documentos da Junta Comercial do Paraná e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que a transação envolveu parentes próximos do ministro Toffoli, incluindo seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, além de um primo, Mario Umberto Degani, que controlavam empresas ligadas ao empreendimento.
A Reag, gestora desses fundos, está no centro de múltiplas investigações, incluindo a Operação Carbono Oculto (que apura conexões do PCC com o mercado financeiro, evasão fiscal e combustível adulterado) e fraudes relacionadas ao Banco Master.
A venda recente do resort
Entre fevereiro e abril de 2025, as cotas remanescentes do resort foram vendidas, resultando na aquisição total pelo advogado goiano Paulo Humberto Barbosa. Ele se tornou o único proprietário em abril de 2025.
Barbosa mantém vínculos profissionais e societários com o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista:
- É sócio de Renato Mauro Menezes Costa (presidente da Friboi, empresa do grupo) e de Gabriel Paes Fortes (cunhado de José Batista Júnior, irmão mais velho dos Batista) na empresa Petras Negócios e Participações (aluguel de aeronaves), onde detém 50% das cotas.
- Seu escritório de advocacia atua em processos relacionados a aquisições de empresas americanas pela J&F, com financiamento do BNDES.
A J&F negou qualquer relação direta com as empresas ou negócios de Barbosa.
Contexto de decisões judiciais e questionamentos
O ministro Dias Toffoli nunca integrou o quadro societário do resort, mas é descrito como frequentador assíduo. Em 2023, como relator, ele suspendeu o pagamento de uma multa bilionária (cerca de R$ 10,3 bilhões) da J&F em acordo de leniência.
No final de 2025, repercutiu-se que Toffoli utilizou avião de Roberto Augusto Leme da Silva (conhecido como “Beto Louco”), investigado na Operação Carbono Oculto por suposto envolvimento com esquema do PCC.
Toffoli é o relator do inquérito sobre fraudes no Banco Master no STF, que envolveu prisões temporárias (como a de Zettel, liberado posteriormente), buscas e bloqueios de bens. Ele determinou sigilo máximo em partes do processo.
Nenhum dos citados (Toffoli, Barbosa, Gersztel ou representantes da J&F) comentou publicamente as reportagens recentes sobre essas conexões.
As informações são baseadas em reportagens publicadas em veículos como Metrópoles (coluna de Andreza Matais), Estadão, O Globo e outros, que consultaram documentos oficiais da CVM, Junta Comercial e investigações da PF. O caso continua sob apuração e levanta debates sobre possíveis conflitos de interesse no Judiciário.