Vitória da corrupção?

Os "descondenados": anulações do STF em 2025 impulsionam volta de figurões da Lava Jato à política

De 425 anos de pena a candidato: o que mudou para os ex-figurões da Lava Jato rumo a 2026

Corrupção Justiça

Quase 12 anos após o início da Operação Lava Jato (março de 2014), que resultou em 174 condenações, 120 delações premiadas e devolução de bilhões aos cofres públicos, muitos dos principais investigados e condenados tiveram suas penas anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e outros tribunais.

Em 2025, o STF acelerou esse processo, com decisões do ministro Dias Toffoli invalidando atos da operação em bloco — inclusive provas baseadas em sistemas da Odebrecht e alegações de parcialidade de Moro —, beneficiando réus como Antonio Palocci, Paulo Bernardo e outros.

Essas anulações, baseadas em vícios processuais (não necessariamente em absolvição de mérito), abriram caminho para o retorno de “figurões” à política. Com as eleições de 2026 se aproximando, vários articulam candidaturas ou influenciam bastidores. Veja o status mais recente (janeiro de 2026):

Sérgio Cabral (ex-governador do Rio de Janeiro)

Cabral, que acumulava penas superiores a 425 anos em 24 condenações, teve várias sentenças anuladas desde 2023 (incluindo por incompetência da Justiça Federal e decisões do TRF-2). Em 2025, tentou estender ao seu caso a anulação de provas contra o doleiro Alberto Youssef (rejeitada por Toffoli em julho), mas obteve absolvição em ação civil de improbidade na 11ª Vara Federal do Rio (abril/2025), baseada em delações questionadas.

Hoje em liberdade com tornozeleira eletrônica desde 2023, o ex-governador atua nos bastidores fluminenses, prestando consultoria política e mantendo contatos com parlamentares. Apesar de inelegível pela Lei da Ficha Limpa (condenações em segunda instância), ele manifestou interesse em disputar deputado federal em 2026, caso consiga reverter restrições judiciais. Em dezembro de 2025, fontes indicam que ele monitora a sucessão de Cláudio Castro no governo do Rio.

José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil)

Dirceu, condenado a 8 anos e 10 meses na Lava Jato (confirmado pelo TRF-4), teve pena extinta pelo STF em 2024. Em 2025, processos foram encerrados, deixando-o apto a disputar eleições.

Aos 80 anos (em 2025), ele confirmou em julho que será candidato a deputado federal pelo PT em 2026 — decisão conversada com o presidente Lula, vista como “reparação histórica” pela cassação no Mensalão (2005). Lula o convocou pessoalmente em março de 2025. No PT, há receios de que Dirceu dispute votos ideológicos com quadros como Rui Falcão e Carlos Zarattini, mas aliados projetam votação expressiva (acima de 200 mil votos em SP). Em agosto de 2025, Lula o homenageou em evento nacional do partido, ao lado de outros “vítimas” de investigações.

Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara)

Cunha teve condenações anuladas pelo STF em 2023 (incompetência da Justiça Federal). Após cassação e prisão (2016-2020), ele intensificou articulações em 2025 para voltar à Câmara em 2026.

Mudou domicílio eleitoral para Minas Gerais (oficializado em dezembro/2025), apostando em Uberaba (Triângulo Mineiro) e no eleitorado evangélico, com discurso conservador, antipetista e religioso. Usa emendas parlamentares (via aliados) para construir base — exemplo: R$ 1,05 milhão enviados a João Pinheiro (MG) em janeiro de 2026. Inelegível até 2027 pela Ficha Limpa, aposta em projeto da filha Dani Cunha e em alianças (como com o PL de Bolsonaro). Em dezembro de 2025, intensificou contatos em Brasília e MG.

Outros nomes em destaque

  • Beto Richa (ex-governador do Paraná): Processos anulados por Toffoli (perseguição). Continua deputado federal (PSDB-PR) em 2026, mas desistiu da pré-candidatura a prefeito de Curitiba em 2024 (devido a tempo insuficiente de TV e racha na federação PSDB-Cidadania). Fica neutro nas municipais, focado no mandato atual.
  • Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT): Condenações anuladas; colocou nome à disposição para deputado federal por Goiás em 2026, seguindo Dirceu.
  • Outros beneficiados em 2025: Anulações ampliadas para Paulo Bernardo, Palocci (mantida por 3×2 no STF) e doleiros como Youssef e Bregolato (pedidos em andamento). Lula homenageou Dirceu, Delúbio, Vaccari e Genoíno em evento do PT (agosto/2025), celebrando “justiça” nas anulações.

O tema segue polarizado: para críticos, representa “vitória da corrupção” e desmonte da Lava Jato (com decisões do STF em 2025 acelerando nulidades). Com 2026 no horizonte, o retorno desses nomes pode influenciar o cenário eleitoral, especialmente no PT (reabilitação histórica) e na direita (Cunha como “mártir” do impeachment de 2016).

Guia do Investidor

O portal Guia do Investidor foi criado com o intuito de trazer informação para quem precisa: aqueles que precisam aprender sobre educação financeira, investidores iniciantes, amadores, traders de longa data e todo público voltado para o mercado financeiro. E levando informação, levamos conhecimento, que consequentemente, leva a resultados, ou seja, lucro. E consequentemente, este lucro traz benefícios reais na vida de cada cidadão;

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