
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado um incômodo crescente com o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio a uma série de controvérsias que abalam a imagem da Corte. Auxiliares próximos ao Planalto relatam que Lula tem feito desabafos a aliados, chegando a afirmar que Toffoli “deveria deixar o STF” para evitar maior desgaste institucional. Embora o presidente não pretenda propor formalmente um afastamento, ele indicou que planeja chamar o ministro para uma nova conversa sobre sua conduta, após uma discussão já ocorrida no final do ano passado.
O principal foco da irritação de Lula é o inquérito sobre irregularidades no Banco Master, que Toffoli relata no STF. O caso é considerado por especialistas como possivelmente a maior fraude bancária da história do Brasil, com estimativas de prejuízos superiores a R$ 40 bilhões. O esquema envolve suspeitas de fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro e conexões políticas.
Lula tem defendido publicamente a continuidade das investigações, afirmando que o governo não pode poupar influentes enquanto os mais vulneráveis sofrem:
“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, declarou o presidente recentemente.
O escândalo do Banco Master: sigilo, conexões familiares e críticas ao ministro
O Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, é acusado de operar um esquema fraudulento que envolveu a tentativa de venda para o Banco de Brasília (BRB) e irregularidades em fundos de investimento. A Polícia Federal deflagrou operações para investigar o caso, mas Toffoli assumiu a relatoria, impondo sigilo máximo aos autos para supostamente evitar vazamentos que pudessem anular provas. Essa decisão gerou críticas de que o ministro estaria blindando o processo, especialmente após reportagens revelarem laços de familiares de Toffoli com fundos ligados ao Master.
Entre as polêmicas, destaca-se uma viagem de Toffoli em um avião particular ao lado de um advogado ligado ao caso, o que levantou questionamentos sobre imparcialidade. Além disso, o ministro marcou uma acareação entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, um ex-diretor do BRB e um diretor do Banco Central, com oitivas programadas para ocorrer na sede do STF ou por videoconferência. Aliados do governo e opositores apontam que articulações para remeter o processo à Justiça Federal avançaram, embora Toffoli negue, por ora, essa possibilidade, defendendo a competência do STF.
Empresários e colunistas têm cobrado um código de conduta mais rígido para ministros do STF, argumentando que o escândalo expõe promiscuidades entre a cúpula judicial e o sistema financeiro. O Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central também foram criticados por decisões mal explicadas, com analistas alertando para o risco de uma bagunça jurídica que poderia encobrir responsabilidades. No entorno do STF, há pressão para que o caso volte à primeira instância após o Carnaval, para garantir transparência e evitar mais desgaste à Corte.
Toffoli, indicado por Lula em 2009, acumula controvérsias desde sua posse, incluindo quatro pedidos de impeachment – o mais recente protocolado por senadores em meio ao caso Banco Master. Reportagens recentes reacenderam acusações de que irmãos do ministro atuaram como “laranjas” em esquemas ligados ao banco, o que ele nega veementemente.