
- Correios concentram 78% do saldo devedor das estatais, com R$ 10 bilhões garantidos pela União
- Saldo total das estatais chega a R$ 12,9 bilhões, segundo o Tesouro Nacional
- Garantias da União somam R$ 336,65 bilhões, com Estados liderando o risco fiscal
A União voltou ao centro do risco fiscal após novos dados do Tesouro Nacional mostrarem forte concentração de garantias em poucas estatais. Os Correios respondem sozinhos por 78% do saldo devedor das estatais federais não financeiras com crédito garantido pelo governo.
O levantamento consta no Relatório Quadrimestral de Operações de Crédito Garantidas, divulgado nesta terça-feira (27), e detalha o volume de dívidas que a União pode ter de honrar caso haja inadimplência.
Correios concentram a maior fatia
Atualmente, o saldo devedor total das estatais federais soma R$ 12,9 bilhões.
Desse montante, R$ 10 bilhões pertencem aos Correios, o equivalente a 78% do total.
Na sequência, a Eletronuclear aparece com R$ 2,7 bilhões, ou 21%. Já a Axia Energia (antiga Eletrobras), mesmo privatizada, mantém R$ 200 milhões, cerca de 2% do saldo.
Contrato bilionário reforça exposição
Em 29 de dezembro, a União assinou contrato de garantia para uma operação de crédito dos Correios com cinco grandes bancos.
O valor total chegou a R$ 12 bilhões, voltados a capital de giro e investimentos estratégicos.
Desse total, R$ 10 bilhões já foram desembolsados em 2025. O restante deve aparecer nos relatórios ao longo de 2026, ampliando a exposição do Tesouro.
Tesouro carrega passivo elevado
O saldo total das garantias da União atingiu R$ 336,65 bilhões em 2025.
As operações externas somam R$ 183,3 bilhões, enquanto as internas alcançam R$ 153,3 bilhões.
Os Estados concentram 68,6% desse passivo, mas as estatais seguem como foco de atenção por conta do risco direto de execução das garantias.
Risco fiscal segue no radar
Segundo o Tesouro, caso a União precise honrar uma garantia, o valor passa a integrar a dívida pública federal.
Em seguida, o governo aciona contragarantias e mecanismos legais de recuperação.
Atualmente, o sistema monitora 1.319 operações de crédito, sendo 190 assinadas apenas em 2025, o que mantém o risco fiscal sob observação constante.