
- Fundos de ações acumulam ganhos acima de 80% em 12 meses
- Fluxo estrangeiro e expectativa de queda dos juros sustentam a bolsa
- Gestores veem espaço para alta, mas com mais seletividade em 2026
Os fundos de ações acumulam ganhos superiores a 80% em 12 meses, impulsionados pela forte valorização do Ibovespa e pelo retorno do capital estrangeiro ao Brasil.
O movimento ganhou força no último trimestre e levanta a principal dúvida do investidor em 2026: a alta continua ou o melhor momento já passou?
Bolsa acelera e puxa fundos mais agressivos
Nos 12 meses até 27 de janeiro, o Ibovespa avançou 45,7%, com alta adicional de 12,9% apenas em 2026.
A arrancada mais forte ocorreu no último trimestre, quando o índice subiu 23,8%, refletindo a reprecificação dos ativos brasileiros.
Nesse cenário, fundos de gestão ativa voltaram a superar o índice, após anos de desempenho abaixo da média.
Fundos chegam a render mais de 80%
Levantamento com 95 fundos, todos com patrimônio acima de R$ 30 milhões, mostra que 20 superaram o Ibovespa em 12 meses.
O Alaska Black II, da Alaska Investimentos, liderou com alta de 86,7% no período.
Também se destacaram o SPX Patriot, com 63,3%, e o Empiricus Microcap Alert, com 56,5%, beneficiados pela exposição a ações menos líquidas.
Fluxo estrangeiro sustenta o rali
Analistas apontam que a alta faz parte de uma rotação global para mercados emergentes, iniciada ainda em 2025.
O movimento ganhou força com o tarifaço nos EUA, que estimulou a realocação de capital internacional.
Além disso, a bolsa brasileira vinha fortemente descontada, o que ampliou o potencial de recuperação.
Juros são o próximo gatilho
A expectativa de queda dos juros no Brasil é vista como o principal catalisador para a continuidade da alta.
Mesmo sem cortes imediatos, o mercado já antecipa recuo das taxas longas, o que favorece os ativos de risco.
Esse ambiente tende a impulsionar setores sensíveis a juros e beneficiar fundos de gestão ativa.
Liquidez ainda manda no curto prazo
O fluxo estrangeiro segue concentrado em ações mais líquidas, como Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e Itaú (ITUB4).
Small caps e mid caps avançam menos no curto prazo, mas gestores veem espaço para recuperação ao longo do ano.
A avaliação é que esse movimento pode ganhar força após maior clareza sobre o cenário eleitoral de 2026.
Bolsa ainda está barata, dizem gestores
Mesmo após a forte alta, o mercado brasileiro segue com valuation atrativo.
Além disso, o múltiplo P/L do MSCI Brasil está em cerca de 11,5 vezes, abaixo de outros emergentes e mercados desenvolvidos.
Desse modo, para gestores, isso abre espaço para alta adicional de 20% a 30%, embora com maior volatilidade.
Estratégia pede mais cuidado
Especialistas recomendam entrada gradual, diversificação e foco em fundos com histórico consistente.
Ademais, fundos ativos seguem relevantes, mas ETFs ganham espaço como base da alocação, por custos menores.
Por fim, a leitura é clara: a festa não acabou, mas os ganhos agora exigem mais estratégia e menos euforia.