
O Brasil registrou em 2025 a saída de cerca de 1.200 milionários, o maior volume entre os países da América Latina, segundo estimativas da consultoria Henley & Partners. Essa migração de altas rendas, que representa uma perda estimada de US$ 8,4 bilhões em patrimônio, foi impulsionada por incerteza política, instabilidade econômica, flutuações cambiais e busca por maior estabilidade patrimonial e planejamento sucessório.
Fuga de milionários na América Latina em 2025
Países vizinhos também enfrentaram saídas significativas:
- Colômbia e México: cerca de 150 milionários cada
- Argentina: cerca de 100 milionários
Os principais destinos escolhidos pelos brasileiros e latino-americanos incluem os Estados Unidos (especialmente a Flórida), Espanha e Portugal.
Michel Soler, diretor geral para a América Latina da Henley & Partners, alertou:
“Dada a conjuntura política e econômica atual, é muito provável que vejamos ao longo de 2026 números semelhantes aos de 2025”, com agravantes como eleições no Brasil e na Colômbia.
Nova tributação sobre dividendos acelera saída de capitais
Paralelamente, o país viveu recorde de saída de investimentos no final de 2025, diretamente ligado à implementação da nova tributação sobre dividendos.
A partir de 1º de janeiro de 2026, passou a vigorar alíquota de 10% na fonte sobre lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas não residentes (acima de R$ 50 mil mensais por empresa). Essa mudança incentivou remessas antecipadas ainda em dezembro de 2025 para evitar o novo imposto.
Números recordes do Banco Central
De acordo com dados do Banco Central:
- Saída líquida de Investimento Direto no País (IDP) em dezembro de 2025: US$ 5,25 bilhões — a maior da série histórica desde 1995
- Remessas de lucros e dividendos: saltaram de US$ 8,8 bilhões (dez/2024) para US$ 18,0 bilhões (dez/2025)
- Déficit na conta de renda primária em 2025: US$ 81,3 bilhões (3,57% do PIB)
- Fluxo cambial negativo em dezembro: US$ 12,2 bilhões — o segundo maior da série desde 1982
Impacto da carga tributária e perspectivas para 2026
Analistas da XP Investimentos destacam que a tributação impactou negativamente as contas externas, com antecipação de distribuições agravando o fluxo cambial negativo.
Especialistas associam esses movimentos à percepção de aumento da carga tributária sobre rendas altas e capitais, somada a insegurança jurídica e busca por jurisdições com regimes fiscais mais favoráveis.
Enquanto nações como Costa Rica (entrada de 350 milionários) e Panamá (300) atraíram ricos em 2025, a tendência de fuga de capitais na América Latina deve persistir em 2026.
Fonte: Henley & Partners, Banco Central do Brasil, XP Investimentos e reportagens de Bloomberg Línea e Poder360.