
- Bradesco entrega 4T25 sólido, com lucro de R$ 6,5 bi e ROE de 15,2%
- Guidance para 2026 fica abaixo do esperado e frustra o mercado
- Ações caem quase 5% apesar da melhora operacional
O Bradesco (BBDC4) entregou um 4T25 sólido, com lucro e rentabilidade em linha com as expectativas. Ainda assim, as ações caíram quase 5% após a divulgação do balanço.
A reação negativa não veio do passado, mas do futuro. Analistas apontam que o guidance conservador para 2026 levantou dúvidas sobre o ritmo de recuperação e pressionou o papel no pregão.
Por que o mercado puniu o papel
O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões no 4T25, alta de 20,6% na base anual, além de ROE de 15,2%. O desempenho confirmou a melhora gradual da rentabilidade.
No entanto, o banco projetou lucro entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões em 2026, com ponto médio abaixo das expectativas do mercado. Além disso, o guidance sinalizou crescimento mais moderado em margens e seguros.
Ao mesmo tempo, os investimentos em transformação seguem pressionando despesas. Mesmo com qualidade de ativos controlada, o mercado reagiu à leitura de menor upside no curto prazo.
Leitura dos analistas
A XP avaliou o trimestre como sólido, mas sem surpresas, com NII sustentado por margens com clientes e melhora no funding. Já o Itaú BBA destacou execução consistente, porém reconheceu espaço para realização de lucros após a alta recente.
O JPMorgan classificou a leitura como mista, citando provisões mais conservadoras e projeções abaixo do esperado. Ainda assim, lembrou que o Bradesco já subestimou resultados no passado e acabou entregando mais.
Com isso, BBDC4 caiu não por fraqueza operacional, mas por cautela com 2026, em um mercado cada vez mais sensível a guidance e expectativas.