
- Elétricos seminovos já aparecem por cerca de R$ 62 mil
- Garantias longas de bateria eliminaram o principal receio do consumidor
- Mercado de usados pode impulsionar a adoção global dos veículos elétricos
O mercado de carros elétricos acabou de entrar em uma nova fase — e quase ninguém percebeu ainda. Enquanto os modelos zero-quilômetro seguem caros, os seminovos começaram a despencar de preço.
Nos Estados Unidos, concessionárias já oferecem veículos elétricos com até 50% de desconto em relação ao valor original. Em alguns casos, isso significa carros tecnológicos custando algo próximo de US$ 12 mil (cerca de R$ 62 mil), preço comparável ao de um carro popular antigo.
O fenômeno que começou silencioso
O movimento começou por causa de um detalhe técnico do mercado automotivo: o leasing.
Entre 2023 e 2024, consumidores americanos compraram cerca de 2,5 milhões de elétricos, grande parte via contratos de leasing. Agora esses veículos estão retornando ao mercado de usados ao mesmo tempo.
O efeito foi imediato.
Quase 89 mil carros elétricos usados foram vendidos em apenas três meses de 2025, alta de 13,5% em um ano.
Ao mesmo tempo, as vendas de elétricos novos chegaram a cair 36% no quarto trimestre.
Ou seja: o consumidor não desistiu do elétrico — ele só parou de comprar o novo.
A maior preocupação simplesmente não aconteceu
Durante anos, o medo era a bateria.
Muitos acreditavam que um elétrico usado seria praticamente descartável após poucos anos. O mercado provou o contrário.
As baterias estão durando mais do que o esperado e normalmente possuem garantia mínima de 8 anos ou cerca de 161 mil km.
Além disso, esses veículos não possuem óleo, velas, radiador ou várias peças mecânicas complexas, reduzindo manutenção.
Um estudo da Universidade de Michigan ainda indicou que o custo total de propriedade de um elétrico usado pode ser menor que o de carros a combustão.
Por que isso pode mudar a indústria
Aqui está o ponto mais importante.
Os elétricos usados estão resolvendo o maior problema da transição energética: preço.
Quase 40% dos modelos vendidos custaram menos de US$ 25 mil, e alguns negócios ficaram abaixo de US$ 20 mil.
Um exemplo citado foi o Nissan Leaf, que perdeu quase 70% do valor em três anos.
Isso cria um ciclo poderoso:
- novos consumidores entram no mercado elétrico
- se acostumam com a tecnologia
- mais de 90% voltam a comprar outro elétrico na troca
Ou seja, o crescimento do setor pode vir não dos lançamentos — mas dos seminovos.