
- Mercado de aluguel de ações movimentou R$ 347,1 bilhões e cresceu 67% em um ano
- Investidor continua recebendo dividendos mesmo com ações alugadas
- Pessoa física já representa 33% dos doadores de papéis na B3
O mercado de empréstimo de ativos na B3 atingiu um novo patamar. O volume financeiro associado aos papéis alugados chegou a R$ 347,1 bilhões em dezembro de 2025, avanço de 67% em apenas um ano.
Na prática, a modalidade permite que o investidor receba remuneração simplesmente por manter ações na carteira. Mesmo alugados, os papéis continuam sob propriedade do acionista, que ainda recebe dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) normalmente.
Como funciona o aluguel de ações
O mecanismo é simples. O investidor atua como doador e disponibiliza temporariamente suas ações para outro participante do mercado, chamado tomador, mediante pagamento de uma taxa previamente acordada.
Enquanto isso, o tomador usa os papéis principalmente para operações de curto prazo, como estratégias de venda descoberta. Ao final do contrato, ele precisa devolver exatamente a mesma quantidade de ações.
Além disso, a operação possui proteção relevante. A própria B3 atua como contraparte central, exigindo garantias financeiras do tomador, o que reduz significativamente o risco para quem empresta.
Pessoa física vira protagonista
O crescimento do mercado vem acompanhado de uma mudança importante no perfil dos participantes. Fundos ainda representam 47% da demanda entre tomadores, mas os investidores pessoa física já respondem por 33% das ofertas de ativos.
Isso ocorre porque o aluguel virou uma forma de rentabilidade adicional. O investidor mantém sua estratégia de longo prazo e, ao mesmo tempo, adiciona uma remuneração recorrente à carteira.
Os ativos mais alugados seguem concentrados em papéis de alta liquidez, como VALE3, PETR4, ITUB4, BBAS3, BBDC4, além do ETF BOVA11.
Renda extra sem vender ações
O principal atrativo está no fato de que o investidor não precisa abrir mão da posição. Mesmo com o contrato ativo, ele continua exposto à valorização dos papéis e recebe proventos normalmente.
Assim, o aluguel de ações passa a funcionar como uma espécie de “aluguel imobiliário” da carteira.
Quanto mais tempo o investidor mantém ativos líquidos e pouco negociados por ele próprio, maior tende a ser o potencial de remuneração adicional.