Alerta do mercado

XP joga água fria no rali da Vale (VALE3): ações subiram 80%, mas alta pode estar no fim

Corretora vê potencial de valorização limitado para VALE3, mesmo com avanço do cobre e forte entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira.

VALE3
  • Vale (VALE3) subiu cerca de 80% em 12 meses, impulsionada por fluxo estrangeiro e commodities
  • XP mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 85, com potencial de alta de apenas 1%
  • Crescimento do cobre fortalece a tese da empresa, mas minério de ferro segue como principal risco

As ações da Vale (VALE3) dispararam cerca de 80% nos últimos 12 meses, impulsionadas por fluxo estrangeiro para mercados emergentes e pela valorização de commodities. Ainda assim, a XP Investimentos acredita que o espaço para novas altas pode estar próximo do limite.

Segundo os analistas da corretora, o papel já reflete boa parte do otimismo recente. Com isso, o preço-alvo foi mantido em R$ 85, o que implica potencial de alta de apenas cerca de 1% em relação aos níveis atuais.

Rali forte começa a levantar dúvidas

De acordo com a XP, o desempenho recente de VALE3 foi sustentado principalmente pela rotação global de capital para commodities e metais ligados à transição energética. Além disso, o aumento da exposição ao cobre reforçou o interesse dos investidores.

Enquanto isso, o fluxo estrangeiro para o Brasil também ajudou a impulsionar a ação. Esse movimento beneficiou empresas ligadas a recursos naturais, que se tornaram uma forma de capturar o ciclo positivo das commodities.

Ainda assim, os analistas alertam que o valuation atual da Vale já está próximo do valor justo. Por isso, mesmo com bom momento operacional, o mercado pode limitar o potencial de valorização no curto prazo.

Cobre vira aposta estratégica da Vale

Um dos principais pontos positivos na visão da corretora é a expansão da divisão de metais básicos, especialmente o cobre. A produção da companhia pode praticamente dobrar até 2035, saindo de cerca de 350 mil a 380 mil toneladas em 2026 para cerca de 700 mil toneladas por ano.

Projetos como Bacaba, Salobo e Alemão, além de uma joint venture com a Glencore, fazem parte desse pipeline de crescimento. Essas iniciativas podem aumentar a relevância do cobre na estratégia da mineradora.

Mesmo assim, o minério de ferro continua sendo o principal fator de risco para a tese de investimento. A XP projeta que os preços da commodity podem cair de cerca de US$ 100 por tonelada em 2026 para US$ 90 a partir de 2028, pressionados por estoques elevados na China e aumento da oferta global.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.