Crise exposta

Tentativa de evitar recuperação judicial falha em massa e expõe fragilidade das empresas

Estudo revela que estratégia usada antes da reestruturação raramente resolve crise e apenas adia decisões.

Tentativa de evitar recuperação judicial falha em massa e expõe fragilidade das empresas
  • 14 de 15 empresas não conseguiram evitar recuperação judicial
  • Medida funciona mais como adiamento do problema do que solução
  • Recuperação judicial continua sendo o principal desfecho

Um levantamento do Lefosse Advogados acendeu um alerta no mercado. A principal ferramenta usada por empresas para evitar a recuperação judicial não entrega o resultado esperado.

Ao contrário do objetivo inicial, a medida tem servido mais para postergar decisões do que para resolver dívidas.

Estratégia perde força na prática

A tutela cautelar de mediação surgiu para facilitar acordos entre empresas e credores.

No entanto, na prática, o instrumento apenas cria uma pausa temporária.

Isso ocorre porque ele suspende cobranças por até 60 dias, o que dá fôlego imediato, mas não resolve o problema estrutural.

Números escancaram a realidade

O estudo analisou 15 casos entre 2020 e 2025.

Desse total, 14 empresas não fecharam acordo com credores.

Ou seja, quase nenhuma conseguiu evitar uma reestruturação mais profunda.

Destino final segue praticamente o mesmo

Mesmo com a tentativa de negociação prévia, o desfecho se repete.

  • 11 empresas entraram em recuperação judicial
  • 2 seguiram para recuperação extrajudicial
  • 1 acabou em falência

Portanto, a cautelar raramente muda o rumo da crise.

Grandes empresas reforçam o alerta

O levantamento inclui nomes relevantes do mercado.

Além disso, entre eles estão Americanas, OSX e Oi.

Nesse cenário, até companhias de grande porte enfrentam dificuldade para reverter a situação apenas com essa estratégia.

Mercado já muda a leitura

Diante dos dados, especialistas passaram a interpretar o mecanismo de outra forma.

Agora, o mercado enxerga a tutela cautelar como uma etapa de transição.

Assim, a medida funciona como preparação para processos mais amplos de reestruturação.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.