
- Empresa tem até junho para evitar cenário mais crítico
- Credores propõem R$ 8 bilhões e controle de até 90% da Raízen
- Saída de Rubens Ometto entra como condição na negociação
A Raízen (RAIZ4) negocia uma reestruturação que pode mudar completamente seu controle. Credores propuseram uma injeção de cerca de R$ 8 bilhões, além da conversão de dívida em ações.
Além disso, a proposta inclui a saída de Rubens Ometto da presidência da companhia. O movimento indica pressão crescente dos detentores de títulos por mais influência na gestão.
Credores querem assumir controle
A proposta prevê que credores fiquem com até 90% da empresa, em troca de converter cerca de 45% da dívida em participação acionária.
Além disso, o objetivo é ampliar o poder de decisão dentro da companhia. Isso ocorre porque os credores devem se tornar acionistas relevantes após a operação.
Por outro lado, controladores como Cosan e Shell resistem às condições propostas, o que aumenta a tensão nas negociações.
Prazo pressiona acordo
A Raízen entrou com pedido de reestruturação extrajudicial em março, com dívida próxima de R$ 65 bilhões.
Agora, a empresa tem até 6 de junho para fechar um acordo com credores. Caso contrário, pode precisar buscar medidas mais drásticas, como proteção judicial.
Além disso, propostas anteriores já indicavam diluição relevante dos atuais acionistas, com credores podendo ficar com até 70% das ações.
Crise reflete cenário mais amplo
A companhia enfrenta pressão de juros elevados, investimentos ainda não maturados e dificuldades operacionais nas áreas de açúcar e etanol.
Além disso, o caso ocorre em meio a um ambiente mais difícil para empresas brasileiras altamente alavancadas. Outras companhias também avaliam reestruturações no país.
Assim, o desfecho da Raízen pode se tornar um marco para o mercado de crédito corporativo no Brasil.