
- Ibovespa pode chegar a 210 mil pontos até 2026 com apoio de fluxo estrangeiro
- Queda de juros e cenário global mais calmo são os principais gatilhos
- Ações já não estão baratas, e risco eleitoral segue no radar
O Bank of America (BofA) elevou a projeção para o Ibovespa e reforçou o Brasil como uma das principais apostas entre mercados emergentes. A nova estimativa aponta o índice em 210 mil pontos até 2026, contra 180 mil anteriormente.
Ao mesmo tempo, o banco manteve recomendação de compra para o Brasil, destacando o fluxo consistente de capital estrangeiro mesmo em meio à turbulência global — um movimento que pode sustentar novas altas.
Projeção sobe — e mercado ganha novo gatilho
A revisão do BofA implica um potencial adicional de alta de cerca de 8% a 9% em relação aos níveis atuais do índice.
Segundo o banco, o principal motor por trás desse cenário é a continuidade do fluxo para emergentes, que pode se intensificar caso haja desescalada das tensões geopolíticas e alívio inflacionário global.
Além disso, o cenário abre espaço para queda de juros, com expectativa de Selic em 13,25% em 2026 e 12,5% em 2027, o que tende a favorecer ativos de risco no Brasil.
Nem tudo é otimismo — alerta importante do banco
Apesar da visão positiva, o BofA faz um alerta direto: as ações brasileiras já não estão baratas.
O banco também destaca que o rali do índice está concentrado. Enquanto o Ibovespa sobe cerca de 21% no ano, a ação média avança perto de 13%, com forte peso de setores como petróleo.
Além disso, riscos como juros mais altos por mais tempo e incerteza eleitoral podem limitar ganhos ou provocar revisões negativas nas projeções.
Onde o BofA está apostando (e evitando)
O banco indica preferência por empresas com geração de caixa resiliente e exposição doméstica, especialmente financeiras.
Por outro lado, mantém visão negativa para setores mais sensíveis, como varejo, shoppings e telecom, enquanto adota postura neutra para pesos pesados como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3).
O relatório também sugere que o investidor deve olhar menos para o índice e mais para a rotação setorial, que pode definir os próximos movimentos da bolsa.