Controle em disputa

Brava (BRAV3) desaba após oferta da Ecopetrol; mercado rejeita preço e teme nova estratégia

Mesmo com prêmio na OPA, investidores veem valor baixo, risco alto e mudança de rumo na companhia.

Foto: Divulgação/Enauta
Foto: Divulgação/Enauta
  • Brava (BRAV3) cai após oferta da Ecopetrol, mesmo com prêmio
  • OPA parcial limita saída e gera desconto nas ações
  • Mercado teme mudança estratégica e risco de execução

A oferta da Ecopetrol para assumir o controle da Brava (BRAV3) não convenceu o mercado e a reação foi imediata. As ações chegaram a cair cerca de 6% no dia do anúncio, mesmo com proposta de compra a R$ 23 por papel.

Além disso, o movimento revelou um ponto central: investidores não enxergaram valor suficiente na operação e passaram a precificar mais riscos do que benefícios.

OPA parcial trava saída dos acionistas

O modelo da operação gerou forte desconforto. A Ecopetrol fechou acordo para comprar cerca de 26% da companhia e lançou uma OPA parcial para atingir 51% do capital votante.

Na prática, isso cria um problema direto: nem todos os acionistas conseguirão vender. Se houver adesão total, apenas cerca de 33,8% das ações seriam aceitas, segundo estimativas de mercado.

Com isso, grande parte dos investidores pode ficar “presa” como minoritária em uma empresa controlada por estatal estrangeira; cenário que costuma gerar desconto.

Preço da oferta é visto como baixo

Outro ponto que pesou foi o valuation. Analistas avaliam que o preço de R$ 23 não embute prêmio de controle relevante.

Além disso, o valor fica abaixo de boa parte dos preços-alvo e não reflete o potencial das reservas da companhia.

Em termos de múltiplos, a operação avalia a Brava entre 2,1x e 3,2x EV/EBITDA para 2026, nível considerado baixo para o setor.

Risco de execução aumenta pressão

O mercado também precifica o risco de execução. A operação depende de aprovação do Cade, além de autorizações de credores e ajustes contratuais.

Enquanto essas etapas não avançam, investidores exigem desconto adicional para compensar a incerteza.

Com isso, o papel tende a ficar pressionado no curto prazo.

Medo está no “dia seguinte”

O maior receio envolve o futuro da empresa sob controle da Ecopetrol. A Brava vinha focando em disciplina de capital e geração de caixa.

Por outro lado, a estatal colombiana pode adotar uma estratégia mais agressiva, com foco em expansão e aumento de produção.

Esse movimento pode elevar o capex e reduzir indicadores como retorno sobre capital e fluxo de caixa por ação.

Nem tudo é negativo; mas demora

Apesar das dúvidas, existem pontos positivos. A Ecopetrol tem experiência operacional e pode reduzir o custo de dívida da Brava.

Além disso, possíveis parcerias em ativos offshore podem destravar valor no longo prazo.

Ainda assim, o mercado enxerga esses benefícios como incertos e distantes.

O que esperar agora

No curto prazo, o preço da OPA deve funcionar como âncora para as ações, limitando altas mais fortes.

Além disso, bancos já ajustaram recomendações, reduzindo o otimismo com o papel.

Por fim, o investidor enfrenta uma decisão difícil: aceitar um preço considerado baixo ou seguir como minoritário em uma empresa que pode mudar completamente de estratégia.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.