
- Dexco (DXCO3) vê risco para demanda após alta de custos globais
- Ureia disparou 50% e pressionou produção de painéis de madeira
- Companhia acelera desalavancagem e avalia venda de ativos
A Dexco (DXCO3) afirmou que o cenário global se tornou mais desafiador após a guerra no Irã elevar custos de matérias-primas e aumentar preocupações com a demanda nos próximos meses. Segundo o CEO Raul Guaragna, novos reajustes de preços podem pressionar o consumo no setor de construção e acabamento.
Além disso, a companhia destacou que a ureia, insumo utilizado na produção de resinas para painéis de madeira, disparou cerca de 50% em reais entre março e maio.
Custos sobem e demanda preocupa
A empresa já realizou reajustes nos preços dos painéis de madeira para compensar parte da pressão dos custos. Ainda assim, a administração teme que novos aumentos reduzam a demanda na ponta.
Segundo Guaragna, a procura segue saudável até o momento. Porém, o executivo reconheceu que o ambiente global mais instável pode afetar o consumo nos próximos trimestres.
Enquanto isso, a companhia ampliou hedge cambial e reforçou estoques de matérias-primas para suavizar impactos sobre os custos operacionais.
Revestimentos e metais já mostram fraqueza
Nas divisões de revestimentos, louças e metais sanitários, a desaceleração já começou a aparecer. As vendas de revestimentos caíram 9,9% em volume frente ao ano anterior.
Ao mesmo tempo, o segmento de metais e louças registrou retração de 3,2%. Apesar disso, a companhia conseguiu melhorar rentabilidade no trimestre.
A margem bruta avançou 4 pontos percentuais, encerrando março em 27,4%, resultado impulsionado principalmente por ganhos operacionais e reajustes de preços.
Venda de ativos entra no radar
A companhia também segue priorizando a desalavancagem. A relação entre dívida líquida e Ebitda caiu para 2,99 vezes, enquanto a dívida líquida recuou para R$ 5,3 bilhões.
Segundo a administração, a meta é encerrar o ano com alavancagem entre 2,5 vezes e 2,7 vezes. Para isso, a empresa avalia venda de ativos não operacionais, incluindo terrenos e fábricas paradas.
Além disso, executivos afirmaram que os ativos sem operação já somam centenas de milhões de reais e geram custos de manutenção sem retorno financeiro.