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Raízen (RAIZ4) trava negociação bilionária e credores pressionam Shell e Cosan por controle da empresa

Impasse sobre governança virou principal obstáculo para acordo de recuperação da companhia controlada por Shell e Cosan.

Foto: Reprodução
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  • Raízen (RAIZ4) negocia reestruturação de dívida de R$ 65 bilhões.
  • Credores pressionam por maior controle da governança da empresa.
  • Shell e Cosan (CSAN3) resistem a ampliar aporte além de R$ 4 bilhões.

A Raízen (RAIZ4) avançou nas negociações com credores para aprovar seu plano de recuperação extrajudicial, mas ainda enfrenta um impasse considerado decisivo para fechar o acordo.

Segundo apuração do Pipeline, o principal entrave deixou de ser o aporte de capital e passou a ser a disputa pela governança da companhia, controlada por Shell e Cosan (CSAN3). A empresa tenta concluir ainda nesta semana a reestruturação de uma dívida estimada em R$ 65 bilhões.

Shell e Cosan resistem a ampliar aporte

Os credores defendiam inicialmente um aporte de aproximadamente R$ 8 bilhões para reduzir a alavancagem da companhia.

Porém, os acionistas seguem resistentes em ampliar o valor além dos R$ 4 bilhões já anunciados.

A Shell indicou aporte de R$ 3,5 bilhões, enquanto Rubens Ometto, principal acionista da Cosan (CSAN3), colocaria mais R$ 500 milhões.

Ainda assim, a proposta considerada mais avançada prevê a conversão de cerca de 45% da dívida em ações, além do alongamento do saldo remanescente por até oito anos.

Credores querem maioria no conselho

A maior tensão agora envolve a estrutura de poder da companhia após a conversão das dívidas em participação acionária.

Os credores argumentam que devem controlar mais de 80% das ações após a operação e, por isso, exigem maioria no conselho de administração.

Além disso, parte deles defendia até a saída de Rubens Ometto da presidência do conselho da Raízen.

O modelo em discussão atualmente já prevê maioria dos assentos do board para os credores.

Venda de ativos entra na negociação

Enquanto isso, a venda da operação da Raízen na Argentina segue no radar das negociações.

A transação pode levantar até US$ 1,5 bilhão, sendo o grupo Mercuria apontado como o interessado mais avançado.

Os credores defendem que grande parte desses recursos permaneça dentro da companhia para reforçar o caixa e reduzir a pressão financeira.

A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março e precisa obter apoio de mais de 50% dos credores até o início de junho para validar o plano.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.