Mudança radical

Raízen (RAIZ4) entra na reta final de acordo bilionário e credores podem assumir controle da companhia

Reestruturação prevê conversão de dívida em ações, aporte bilionário da Shell e divisão da empresa em duas operações.

Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
  • Raízen (RAIZ4) negocia conversão de quase metade da dívida em ações
  • Credores podem assumir cerca de 80% da companhia
  • Shell prepara aporte de R$ 3,5 bilhões durante reestruturação

A Raízen (RAIZ4) deixou o mercado em alerta devido aos recentes desdobramentos. A companhia avançou nas negociações finais de sua reestruturação financeira e pode passar por uma das maiores mudanças corporativas já vistas no setor de energia brasileiro.

Além disso, o plano em discussão prevê que os credores assumam quase 80% do controle da companhia após a conversão de parte da dívida em ações. O movimento envolve cerca de R$ 65 bilhões, na maior recuperação extrajudicial da história do país.

Dívida bilionária muda estrutura da companhia

Pelo modelo negociado, aproximadamente 45% da dívida será transformada em participação acionária. Com isso, os credores ganharão espaço dominante no capital da empresa, enquanto os atuais controladores terão fatia significativamente reduzida.

Ao mesmo tempo, a Shell deve realizar uma capitalização de R$ 3,5 bilhões, reforçando o caixa da operação durante o processo de reorganização. A medida busca melhorar a liquidez e acelerar a recuperação financeira do grupo.

Além da reestruturação, o plano prevê uma divisão operacional. Dessa forma, uma empresa ficará focada na produção de etanol, enquanto a outra concentrará a distribuição de combustíveis, tentativa vista pelo mercado como estratégia para destravar valor.

Nova gestão entra no radar do mercado

A companhia também prepara mudanças profundas em sua governança. Está prevista para o primeiro trimestre de 2027 a eleição de um novo conselho de administração, alinhado ao novo desenho societário.

Enquanto isso, será criado o cargo de CRO (Chief Restructuring Officer), executivo responsável pela condução da reestruturação. O posto deve ser ocupado por Lorival Luz, atual diretor financeiro do grupo e ex-CEO da BRF.

Com isso, investidores acompanham os próximos passos da operação, já que a reestruturação pode redefinir completamente o futuro da companhia no setor de energia e combustíveis.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.