
- Gestores reduziram o otimismo com os ativos brasileiros, segundo pesquisa do BofA.
- Eleições de 2026 aparecem como principal fator de risco para o mercado nos próximos meses.
- Oxford Economics classificou o Brasil como a maior preocupação fiscal da América Latina.
O mercado financeiro começa a demonstrar menos confiança no Brasil. Uma pesquisa do Bank of America (BofA) revelou que gestores reduziram suas expectativas para os ativos brasileiros e passaram a enxergar as eleições de 2026 como um dos principais fatores de risco para o mercado nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, um relatório da Oxford Economics acendeu um alerta sobre as contas públicas do país. A consultoria classificou o Brasil como a maior preocupação fiscal entre as principais economias latino-americanas, destacando que a trajetória da dívida exigirá anos de ajustes para ser estabilizada.
Mercado reduz apostas no Brasil
A pesquisa do BofA mostrou uma deterioração relevante do sentimento dos gestores em relação ao Brasil. O levantamento apontou queda nas expectativas para a Bolsa brasileira, aumento da posição em caixa e uma visão mais cautelosa sobre variáveis econômicas importantes.
Entre os entrevistados, as mudanças no cenário eleitoral brasileiro apareceram como o principal fator capaz de influenciar os mercados nos próximos seis meses. O resultado sugere que investidores já acompanham com atenção o ambiente político antes da corrida presidencial ganhar força oficialmente.
O pessimismo também atingiu as projeções para o Ibovespa. Em junho, apenas 31% dos gestores acreditavam que o índice encerrará 2026 acima dos 190 mil pontos, contra 66% registrados no mês anterior.
Alerta fiscal reforça preocupação
A piora na percepção dos investidores ocorre em meio a novos alertas sobre as contas públicas. Segundo a Oxford Economics, o Brasil enfrenta desafios fiscais mais graves que outros países da região e corre o risco de permanecer preso em um ciclo de endividamento crescente.
O relatório afirma que o país precisará de ajustes prolongados e politicamente difíceis para estabilizar a dívida pública. Os economistas destacaram que o Brasil é atualmente a maior preocupação dentro do grupo analisado pela consultoria.
A combinação entre incerteza fiscal e dúvidas sobre o cenário político, com risco para a reeleição de Lula, ajuda a explicar a postura mais defensiva adotada pelos gestores. Com a eleição de 2026 se aproximando, o mercado passa a monitorar de forma mais intensa os riscos ligados à trajetória das contas públicas e às perspectivas para o próximo governo.