
Principais pontos
- Santander reduziu o preço-alvo da MRV (MRVE3) de R$ 12,80 para R$ 10,70.
- Banco manteve recomendação de compra, citando potencial de valorização superior a 130%.
- Resia segue pressionando os resultados, mas deve perder relevância ao longo de 2027.
A MRV (MRVE3) voltou ao radar do mercado após o Santander revisar suas projeções para a companhia. O banco reduziu o preço-alvo das ações de R$ 12,80 para R$ 10,70, mas manteve a recomendação de Outperform (equivalente à compra), destacando que o papel continua negociado com forte desconto na Bolsa.
Mesmo com a revisão, o novo preço-alvo representa um potencial de valorização superior a 130% em relação ao fechamento de R$ 4,51 registrado na terça-feira (21). A avaliação considera que parte dos problemas envolvendo a operação americana Resia já está refletida no preço das ações.
Resia continua pressionando os resultados
O principal motivo para a revisão das projeções foi a expectativa de novas perdas relacionadas aos ativos da Resia, operação da MRV nos Estados Unidos. O Santander incorporou novos ajustes contábeis, reduziu as estimativas de vendas e revisou para baixo as projeções de lucro da companhia.
Além disso, o banco diminuiu em 10% sua previsão de pré-vendas para 2026 e também reduziu as expectativas para a margem bruta da operação brasileira. Como consequência, a estimativa passou a ser de prejuízo líquido de R$ 727 milhões em 2026, antes de uma retomada prevista para 2027.
Apesar desse cenário, os analistas avaliam que os ativos da Resia deverão perder relevância ao longo de 2027, à medida que a empresa conclua a venda dos empreendimentos e reduza sua exposição ao mercado imobiliário americano.
Santander mantém visão positiva para MRV
Na avaliação do Santander, a ação continua negociando a múltiplos considerados bastante descontados. O relatório destaca que o papel é negociado a cerca de 3,5 vezes o lucro estimado para 2027, patamar visto como atrativo frente ao potencial de recuperação operacional.
Os analistas afirmam que a valorização das ações dependerá principalmente da melhora da geração de caixa da operação brasileira e de uma definição mais clara sobre o desfecho da Resia. Caso esses fatores evoluam conforme esperado, a percepção de risco da companhia poderá diminuir significativamente.
Mesmo reconhecendo que ainda haverá volatilidade nos próximos trimestres, o banco acredita que o mercado pode voltar a precificar a MRV com maior otimismo conforme os ativos americanos deixem de pressionar os resultados.