
- PCAR3 cai mais de 10% e soma cerca de 23% de queda no ano
- Alta do aluguel de ações indica aposta de investidores na baixa
- Alavancagem e consumo fraco preocupam antes do balanço
As ações do GPA (PCAR3) caíram mais de 10% durante a sessão desta quinta-feira e figuraram entre as maiores baixas do Ibovespa. Por volta da tarde, o papel ainda recuava perto de dois dígitos.
No acumulado de 2026, a perda já se aproxima de 23%, com parte relevante da queda concentrada apenas em fevereiro. O movimento acontece poucos dias antes da divulgação do balanço trimestral.
Sinal que preocupa
O dado que mais chamou atenção foi a taxa de aluguel das ações, que chegou a 15,41%. Esse indicador costuma crescer quando investidores apostam na queda do papel.
Funciona assim: o operador pega a ação emprestada, vende agora e tenta recomprar mais barata no futuro. Se o preço cair, ele lucra com a diferença.
Portanto, o aumento das posições vendidas indica desconfiança relevante sobre os números que a companhia divulgará na próxima semana.
O que está por trás da pressão
Analistas veem o GPA em processo de reestruturação, com foco em redução de dívida, corte de despesas e recuperação de margens. A marca ainda mantém boa percepção entre consumidores.
Mesmo assim, bancos apontam preocupação com geração de caixa e alavancagem financeira. O consumo mais fraco também dificulta a recuperação de receitas.
Além disso, o setor de supermercados enfrenta crescimento de vendas abaixo da inflação, o que reduz o poder de repasse de preços e pressiona a rentabilidade.