
- Decisão dos EUA devolve previsibilidade e melhora spreads no setor de proteínas.
- BEEF3, MBRF3 e JBSS32 recuperam competitividade com o fim da tarifa de 40%.
- CAML3 se beneficia da normalização das exportações de café e preços elevados.
O fim da tarifa de 40% cobrada pelos EUA sobre produtos agrícolas brasileiros reacendeu o apetite por ações ligadas a proteínas e café na B3. O movimento melhora margens, reabre mercado e reduz distorções que haviam travado embarques desde agosto.
Com a mudança, frigoríficos e exportadoras voltam a operar em condições equilibradas num mercado que paga prêmios relevantes, especialmente para cortes bovinos de menor valor e cafés especiais, que haviam perdido competitividade após o tarifaço.
Minerva surge como a maior beneficiada
O setor de carne bovina sofreu forte impacto desde que a tarifa total chegou a 50%, o que redirecionou volumes para destinos alternativos e pressionou preços. Agora, porém, o corte devolve acesso ao mercado que melhor remunera cortes processados.
A Minerva (BEEF3) aparece como a mais favorecida, já que até 21% de sua exposição no 3T25 dependia dos EUA. A abertura permite recuperar spreads de exportação e aproveitar a oferta restrita de gado americano, que segue encurtada por um ciclo local ainda apertado.
Além disso, JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3) também ganham com a retomada dos embarques. A reabertura da cota anual isenta de impostos em janeiro acelera a normalização do fluxo e reforça a competitividade das brasileiras neste início de ciclo positivo para o setor.
Café volta ao jogo e Camil ganha tração
O mercado de café sentiu fortemente o tarifaço, que derrubou exportações em 44% entre agosto e novembro. A escassez elevou preços internacionais, enquanto o Brasil negociou com desconto ampliado em relação à CBOT. Com o corte, os embarques devem normalizar gradualmente.
A melhora reduz a pressão sobre a oferta nos EUA e tende a estabilizar preços globais ao longo de 2026. Ainda assim, a demanda segue firme, e as safras recentes mostram oferta global restrita, o que sustenta patamares historicamente elevados.
Nesse ambiente, a Camil (CAML3) se destaca. A normalização dos envios deve reduzir o desconto do café brasileiro, mantendo margens domésticas atrativas e ampliando a rentabilidade da empresa ao longo do ano fiscal de 2026.
B3 reage a um ambiente mais previsível
O alívio tarifário redefine estratégias comerciais e remove incertezas que vinham travando negociações no agro. Com o corte, exportadores recuperam previsibilidade, e a B3 volta a precificar spreads melhores para frigoríficos e processadoras.
A volta do acesso pleno aos EUA ocorre justamente quando o ciclo da pecuária no Brasil muda, o que reforça perspectivas de margens maiores para empresas expostas ao mercado externo. Assim, companhias com mix mais diversificado tendem a capturar ganhos mais rápidos.
O movimento também fortalece a diplomacia comercial e amplia a expectativa de novas negociações entre Brasil e EUA, com impacto direto nas ações que dependem de exportação intensiva.