Reestruturação financeira

Ambipar (AMBP3) tinha só R$ 295 milhões em caixa líquido; restante incluía pré-precatório de R$ 1,2 bilhão

Relatório da administração judicial mostra que maior parte dos recursos da companhia estava concentrada em ativos financeiros de baixa liquidez no fim de 2025.

Ambipar (ReproduçãoReset)
Ambipar (ReproduçãoReset)
  • Ambipar (AMBP3) terminou 2025 com apenas R$ 295 milhões em recursos de alta liquidez.
  • Cerca de R$ 1,2 bilhão do caixa informado estava ligado a um fundo com pré-precatório federal.
  • O quarto trimestre foi marcado por forte alta das despesas financeiras e prejuízo de R$ 1,94 bilhão.

A Ambipar (AMBP3) encerrou 2025 informando cerca de R$ 2,5 bilhões em caixa e aplicações. Entretanto, documentos da administração judicial mostram que apenas R$ 295 milhões estavam efetivamente disponíveis em caixa, equivalentes de caixa e investimentos em bancos de primeira linha.

A maior parcela dos recursos estava concentrada em ativos financeiros, incluindo um pré-precatório federal de R$ 1,2 bilhão contabilizado pelo valor de face, além de outros investimentos considerados menos líquidos.

Maior parte do caixa estava em ativos financeiros

Segundo o relatório, aproximadamente R$ 1,2 bilhão correspondia à participação em um fundo cujo principal ativo era um pré-precatório federal. Além disso, a companhia mantinha cerca de R$ 247 milhões aplicados em investimentos que, segundo a análise, estariam ligados ao Banco Master.

O portfólio também incluía participações na Emae e em um FIDC relacionado à própria Ambipar, elevando o valor total contabilizado como caixa e aplicações.

Na prática, porém, os recursos de liquidez imediata representavam apenas uma pequena parcela do montante divulgado.

Fluxo de caixa piorou no fim de 2025

Os dados também mostram uma deterioração financeira ao longo do último trimestre de 2025. Enquanto o caixa disponível caiu de R$ 1,43 bilhão, em setembro, para R$ 634 milhões em dezembro, as despesas com juros e financiamentos aumentaram significativamente.

Ao mesmo tempo, as despesas financeiras saltaram para R$ 3,38 bilhões no quarto trimestre, contribuindo para um prejuízo líquido de R$ 1,94 bilhão no período.

Os números ajudam a explicar a reestruturação financeira em andamento e reforçam os desafios enfrentados pela companhia para reorganizar sua estrutura de capital.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.