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Apesar de resultados sólidos com lucro e dividendos, Capex é "pedra no sapato" da Petrobras

Estatal surpreende com lucro bilionário e dividendos robustos, mas analistas alertam que o aumento dos investimentos pode limitar os ganhos futuros.

tanque de diesel r5 na rpbc foto wilson melo agencia petrobras.jpg
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  • Analistas mantêm recomendação de compra, mas aguardam o novo Plano Estratégico 2026–2030.
  • Lucro líquido de US$ 6,1 bilhões e dividendos de R$ 12,2 bilhões surpreenderam o mercado.
  • Capex subiu 24% e gerou preocupações com o caixa e o futuro dos dividendos.

A Petrobras (PETR4) divulgou um lucro líquido de US$ 6,1 bilhões no 3º trimestre de 2025, resultado 37% acima das projeções do mercado. A forte geração de caixa impulsionou o desempenho, enquanto o Ebitda ajustado atingiu US$ 11,95 bilhões e superou as expectativas em 5%.

Apesar dos números expressivos e da distribuição de R$ 12,2 bilhões em dividendos, a alta no Capex, que chegou a US$ 5,5 bilhões, acendeu um sinal de alerta entre os analistas e investidores. O aumento de gastos com novos projetos pode pressionar o caixa nos próximos trimestres.

Resultados operacionais acima das expectativas

De acordo com a XP Investimentos, o trimestre foi marcado por margens em expansão, produção recorde e exportações de 814 mil barris por dia. A receita líquida subiu 7,4% em relação ao trimestre anterior, somando R$ 127,9 bilhões. O desempenho, segundo analistas, reforça a eficiência operacional da estatal mesmo com o preço do Brent em patamar moderado.

O Morgan Stanley destacou a melhora do fluxo de caixa livre (FCF), que atingiu US$ 2 bilhões, ante US$ 800 milhões no trimestre anterior. Já a Genial Investimentos ressaltou o ritmo acelerado dos projetos estratégicos, que reforçam a execução operacional da empresa.

Ainda assim, parte do mercado mantém uma postura cautelosa. Analistas ponderam que o aumento dos investimentos pode impactar o ritmo de distribuição de dividendos, o principal atrativo da companhia para investidores.

Capex crescente preocupa investidores

O ponto mais sensível do balanço foi o avanço expressivo do Capex, que subiu 24% ante o 2º trimestre. O número reflete o foco da Petrobras em projetos do pré-sal e eleva o gasto acumulado de 2025 para US$ 14 bilhões, próximo ao limite de US$ 18,5 bilhões previsto no orçamento anual.

Para o Goldman Sachs, o resultado operacional forte foi ofuscado pela alta nas despesas de capital. O banco alertou que o aumento sequencial do Capex pode gerar preocupações sobre a execução do plano estratégico, previsto para ser atualizado em 27 de novembro.

O Bradesco BBI reforçou essa leitura, afirmando que a escalada de investimentos pode reduzir a margem de dividendos futuros. Segundo o banco, o patamar elevado de despesas ocorre em meio à inflação da cadeia de suprimentos offshore, o que pressiona ainda mais o fluxo de caixa.

Analistas mantêm visão positiva, mas com ressalvas

Apesar da pressão sobre o Capex, as casas de análise seguem otimistas com os papéis da estatal. BTG Pactual, JPMorgan e Itaú BBA mantêm recomendação de compra, citando a resiliência operacional e a capacidade de geração de caixa.

Para o BTG, a empresa continua equilibrando dividendos robustos e alavancagem controlada, mesmo em cenário de preços de petróleo mais baixos. Já o BBA prevê que o aumento das despesas de capital pode limitar dividendos extraordinários, mas não altera o potencial de valorização das ações.

O Bradesco BBI projeta uma queda no rendimento de dividendos em 2026, de 10% para 8%, mas ainda considera a Petrobras subvalorizada frente aos pares globais do setor. Analistas esperam que o novo Plano Estratégico 2026–2030 traga mais clareza sobre o equilíbrio entre crescimento e retorno aos acionistas.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.