
- Azzas (AZZA3) segue pressionada após disputa entre acionistas
- JPMorgan vê riscos crescentes para integração e captura de sinergias
- Banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 24,50
A Azzas (AZZA3) voltou ao centro das preocupações do mercado após o JPMorgan reforçar que os conflitos entre os principais acionistas elevaram significativamente os riscos de governança da companhia. Mesmo negociando em níveis considerados baratos, o banco acredita que as ações podem continuar pressionadas até que exista maior clareza sobre o alinhamento interno da empresa.
O banco manteve recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 24,50. Por volta das 10h15, as ações subiam 1,60%, cotadas a R$ 19,08.
JPMorgan vê ameaça direta à integração da fusão
Segundo o banco, desde o anúncio da fusão o mercado já enxergava riscos relevantes ligados à combinação de culturas corporativas diferentes e estruturas de liderança altamente personalizadas.
Agora, porém, os analistas avaliam que a situação evoluiu para um cenário mais delicado. Isso porque os conflitos passaram a envolver disputas judiciais, arbitragem, vazamentos sobre governança e participação de assessores externos.
Além disso, a principal preocupação deixou de ser apenas uma eventual separação societária. Na visão do JPMorgan, o maior risco está no impacto direto sobre a execução operacional da integração.
Captura de sinergias pode atrasar
A companhia ainda depende fortemente da integração entre operações para sustentar a tese original da fusão. Entre os pontos considerados críticos estão captura de sinergias, reorganização operacional, integração logística e recuperação de margens.
Nesse cenário, o banco alerta que conflitos prolongados podem atrasar entregas importantes e comprometer a melhora operacional esperada pelo mercado.
Mesmo negociando a cerca de 5 vezes preço/lucro estimado para 2026 e 4,1 vezes para 2027, o JPMorgan entende que o desconto atual não deve ser suficiente para destravar uma recuperação consistente no curto prazo.
Disputa envolvendo Reserva aumentou tensão
Os ruídos aumentaram após o acionista Roberto Jatahy apresentar um pedido judicial envolvendo mudanças relacionadas à marca Reserva.
Na sequência, a Justiça do Rio de Janeiro determinou a manutenção da estrutura organizacional vigente até abril de 2026 nas unidades de vestuário masculino e feminino.
Além disso, Jatahy foi mantido no cargo de Chief Brand Officer (CBO) e assumiu interinamente a gestão dessas unidades.
Mais recentemente, a companhia também confirmou à CVM a contratação do Itaú BBA para avaliar alternativas estratégicas envolvendo ativos, controladas e possíveis estruturas societárias.