Tensão

Azzas (AZZA3) entra em zona de risco após crise entre acionistas assustar mercado

JPMorgan vê deterioração da governança como ameaça central para fusão e mantém postura cautelosa com ações da varejista.

Azzas 2154
Foto: Azzas 2154 / Divulgação
  • Azzas (AZZA3) segue pressionada após disputa entre acionistas
  • JPMorgan vê riscos crescentes para integração e captura de sinergias
  • Banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 24,50

A Azzas (AZZA3) voltou ao centro das preocupações do mercado após o JPMorgan reforçar que os conflitos entre os principais acionistas elevaram significativamente os riscos de governança da companhia. Mesmo negociando em níveis considerados baratos, o banco acredita que as ações podem continuar pressionadas até que exista maior clareza sobre o alinhamento interno da empresa.

O banco manteve recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 24,50. Por volta das 10h15, as ações subiam 1,60%, cotadas a R$ 19,08.

JPMorgan vê ameaça direta à integração da fusão

Segundo o banco, desde o anúncio da fusão o mercado já enxergava riscos relevantes ligados à combinação de culturas corporativas diferentes e estruturas de liderança altamente personalizadas.

Agora, porém, os analistas avaliam que a situação evoluiu para um cenário mais delicado. Isso porque os conflitos passaram a envolver disputas judiciais, arbitragem, vazamentos sobre governança e participação de assessores externos.

Além disso, a principal preocupação deixou de ser apenas uma eventual separação societária. Na visão do JPMorgan, o maior risco está no impacto direto sobre a execução operacional da integração.

Captura de sinergias pode atrasar

A companhia ainda depende fortemente da integração entre operações para sustentar a tese original da fusão. Entre os pontos considerados críticos estão captura de sinergias, reorganização operacional, integração logística e recuperação de margens.

Nesse cenário, o banco alerta que conflitos prolongados podem atrasar entregas importantes e comprometer a melhora operacional esperada pelo mercado.

Mesmo negociando a cerca de 5 vezes preço/lucro estimado para 2026 e 4,1 vezes para 2027, o JPMorgan entende que o desconto atual não deve ser suficiente para destravar uma recuperação consistente no curto prazo.

Disputa envolvendo Reserva aumentou tensão

Os ruídos aumentaram após o acionista Roberto Jatahy apresentar um pedido judicial envolvendo mudanças relacionadas à marca Reserva.

Na sequência, a Justiça do Rio de Janeiro determinou a manutenção da estrutura organizacional vigente até abril de 2026 nas unidades de vestuário masculino e feminino.

Além disso, Jatahy foi mantido no cargo de Chief Brand Officer (CBO) e assumiu interinamente a gestão dessas unidades.

Mais recentemente, a companhia também confirmou à CVM a contratação do Itaú BBA para avaliar alternativas estratégicas envolvendo ativos, controladas e possíveis estruturas societárias.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.