Volume financeiro

B3 amarga menor giro de ações em cinco anos e acende alerta no mercado

Volume médio diário em 2025 cai para R$ 18,5 bilhões e reforça cenário de liquidez fraca.

carteira do Ibovespa B3
carteira do Ibovespa B3
  • Volume médio diário da B3 (B3SA3) em 2025 cai para cerca de R$ 18,5 bilhões
  • Liquidez deve seguir pressionada sem mudança estrutural no cenário macro
  • Juros altos, menos empresas listadas e posições longas reduzem o giro

O volume financeiro médio diário negociado no mercado à vista da B3 (B3SA3) em 2025 caminha para o menor nível dos últimos cinco anos. Até 22 de dezembro, a média ficou em cerca de R$ 18,5 bilhões, segundo levantamento de mercado.

Além disso, o número representa uma queda relevante frente ao período de maior liquidez entre 2020 e 2022. Em 2021, auge do ciclo, o volume diário superou R$ 28 bilhões, enquanto em 2020 ficou próximo de R$ 26 bilhões.

Menor giro e posições mais longas

O mercado brasileiro vem passando por um esvaziamento contínuo do giro desde 2023. Assim, investidores reduziram operações de curto prazo e passaram a carregar posições por mais tempo.

Além disso, fundos locais e estrangeiros têm evitado montagem frequente de posições. Com isso, o volume diário diminui, mesmo em momentos de maior volatilidade.

Enquanto isso, o chamado trade eleitoral também influencia o comportamento. Portanto, decisões mais agressivas ficam postergadas até maior clareza sobre o cenário político futuro.

Valuations baixos não destravam liquidez

Apesar de o mercado acionário negociar em níveis historicamente baixos, o giro segue contido. Assim, investidores preferem manter posições esperando uma recuperação mais adiante.

Além disso, ações mais baratas não têm sido suficientes para estimular operações táticas. Com isso, o volume diário permanece pressionado.

Por outro lado, esse comportamento reduz a rotatividade da bolsa. Portanto, mesmo com oportunidades aparentes, a liquidez não reage.

Menos empresas listadas pesam no volume

Outro fator estrutural é a redução do número de companhias listadas na B3 (B3SA3). Assim, fechamentos de capital e reorganizações societárias encolhem o universo de ações negociadas.

Além disso, holdings têm retirado subsidiárias menores da bolsa. Com isso, ativos deixam o mercado à vista e diminuem o fluxo financeiro.

Enquanto isso, a concentração fora da bolsa reduz alternativas para investidores. Portanto, a liquidez estrutural do mercado segue comprometida.

Juros altos seguem drenando recursos

A taxa de juros elevada continua funcionando como um freio natural ao mercado acionário. Assim, renda fixa segue atraente para investidores locais e estrangeiros.

Além disso, os juros reais altos reduzem o apetite ao risco. Com isso, o fluxo migra para aplicações conservadoras.

Por outro lado, a combinação de incerteza fiscal e cenário externo volátil reforça a postura defensiva. Portanto, o giro diário segue limitado.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.