Caminho lento

Banco do Brasil (BBAS3) entra em 2026 sob pressão, mas mercado já aposta em virada gradual

Após queda forte em 2025, Banco do Brasil busca estabilizar crédito e recuperar rentabilidade.

Banco do Brasil bb bbas3
Banco do Brasil bb bbas3
  • BBAS3 entra em 2026 ainda pressionado pelo crédito rural
  • Recuperação deve ser gradual, sem melhora plena no curto prazo
  • Valuation baixo sustenta tese apenas para investidores de longo prazo

O Banco do Brasil (BBAS3) inicia 2026 ainda em um ambiente desafiador, após a deterioração dos resultados ao longo de 2025. A pressão veio, sobretudo, do crédito rural, que elevou a inadimplência e reduziu a rentabilidade.

Apesar disso, gestores e analistas enxergam espaço para melhora gradual, embora sem expectativa de recuperação rápida ou plena no curto prazo.

Fim do ciclo excepcional

Entre 2021 e meados de 2024, o Banco do Brasil (BBAS3) viveu um ciclo extraordinariamente favorável. O desempenho foi impulsionado pelo agronegócio aquecido, pela carteira de servidores públicos e por um ROE acima de 20%.

No entanto, esse cenário começou a mudar no fim de 2024. A piora do ambiente no agro elevou a inadimplência a níveis recordes.

Como consequência, a rentabilidade recuou de forma relevante, com o ROE caindo para perto de 8,5%, bem abaixo do patamar histórico recente.

Agro segue no centro do problema

Segundo gestores, o problema do agronegócio é conjuntural, não estrutural. Ainda assim, o impacto foi intenso devido ao aumento de custos, à alavancagem elevada e ao clima adverso.

Além disso, pequenos e médios produtores, especialmente no Sul do país, sentiram mais fortemente o choque financeiro.

Esse perfil coincide com a maior exposição histórica do Banco do Brasil (BBAS3), o que explica a pressão maior sobre a carteira de crédito.

Medidas e expectativa para 2026

Para enfrentar o cenário, o banco avançou em renegociações, rolagens de dívida e extensão de prazos. A estratégia busca reduzir a inadimplência de forma efetiva, ao longo do tempo.

Ainda assim, a expectativa é de melhora lenta em 2026, sem retorno imediato aos níveis de rentabilidade anteriores.

Gestores avaliam que uma recuperação mais consistente do retorno sobre capital deve ficar para 2027 ou 2028.

Ações pressionadas e risco político

O mercado já refletiu esse cenário nos preços. As ações do BBAS3 acumulam queda de cerca de 35% a 40% desde as máximas.

Atualmente, o papel negocia próximo de 0,7 vez o valor patrimonial, com múltiplos entre 4,5 e 5 vezes o lucro, o que reforça o debate sobre valuation deprimido.

Além disso, o risco político, por se tratar de uma estatal em ano eleitoral, tende a ganhar peso ao longo de 2026, aumentando a volatilidade.

Visão dos analistas

Analistas projetam melhora gradual da inadimplência em 2026, mas não esperam reversão relevante de provisões no curto prazo.

A normalização depende de comportamento consistente de pagamento, menor alavancagem e fluxo de caixa mais saudável dos produtores.

Nesse cenário, o crédito rural segue estratégico, porém com crescimento mais lento e disciplina de risco maior. A recomendação para BBAS3 permanece neutra, com preço-alvo em R$ 25.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.