Febre cripto

Brasileiros mergulham no Bitcoin após tombo histórico da criptomoeda

Mesmo com a queda do Bitcoin abaixo dos US$ 100 mil, investidores locais ampliam posições e impulsionam compras nas principais exchanges do país.

Bitcoin
  • ETFs e grandes carteiras voltam a acumular BTC, indicando confiança estrutural.
  • Bitcoin cai abaixo dos US$ 100 mil, mas brasileiros ampliam posições de compra.
  • Mercado Bitcoin e Itaú (ITUB4) registram alta expressiva de investidores ativos.

A semana foi tensa no mercado cripto. O Bitcoin (BTC) caiu para o menor nível desde maio e chegou a ser negociado abaixo de US$ 100 mil. A queda ocorreu após avaliações cautelosas do Federal Reserve e sinais de desaceleração na economia americana.

Na tarde desta sexta-feira (7), o Bitcoin foi negociado a US$ 102 mil. A criptomoeda acumula queda de 9% na semana e 18% em 30 dias, segundo o Coingecko. Além disso, o cenário de liquidez restrita e a alta aversão ao risco pressionaram o mercado global. Como resultado, o valor total das criptomoedas caiu para US$ 3,37 trilhões, conforme explicou Danilo Moreno, analista da Investo.

Investidores brasileiros enxergam oportunidade

Mesmo com o clima de pessimismo, brasileiros aproveitaram a baixa. Dados do Mercado Bitcoin (MB) mostram aumento expressivo no número de compradores de BTC ao longo da semana, comportamento típico em momentos de correção.

O indicador de “Net Buyers” atingiu o melhor patamar dos últimos oito meses, reforçando que investidores veem as quedas como pontos estratégicos de entrada. Segundo analistas da exchange, esse tipo de movimento costuma anteceder ciclos de recuperação no mercado cripto.

Além disso, plataformas locais registraram aumento nos depósitos e nas compras fracionadas. Esse movimento indica que investidores de varejo retomaram o apetite por risco, mesmo com a volatilidade crescente.

Itaú confirma aumento nas compras de Bitcoin

O Itaú Unibanco (ITUB4) também identificou movimento semelhante em sua base de clientes. Durante o OranjeBTC Summit, Guto Antunes, chefe de ativos digitais do banco, afirmou que o número de compras de Bitcoin cresceu de forma relevante nos últimos dias.

Segundo Antunes, mesmo com a forte oscilação de preços, parte dos investidores acredita que a faixa dos US$ 100 mil representa um novo suporte de longo prazo. “O comportamento de compra mostra que há confiança estrutural no ativo”, disse.

O levantamento da Investo ainda apontou que grandes carteiras (“whales”) voltaram a acumular BTC, enquanto os ETFs americanos registraram entrada líquida de US$ 240 milhões após uma sequência de seis dias de resgates — sinal claro de que a demanda institucional permanece viva.

Cenário global segue desafiador

Apesar do otimismo entre brasileiros, o ambiente macroeconômico global segue desafiador. O Federal Reserve manteve o discurso de cautela, indicando que não pretende cortar juros tão cedo, o que tende a reduzir a liquidez disponível para ativos de risco.

Além disso, o aumento nas demissões corporativas nos Estados Unidos, o maior para um mês de outubro desde 2003, com cortes na Amazon, Target e UPS, acentuou o temor de recessão técnica no início de 2026.

Mesmo assim, analistas ressaltam que o Bitcoin ainda é visto como proteção contra inflação e instabilidade monetária, o que pode sustentar uma recuperação gradual nos próximos meses, caso o fluxo institucional siga positivo.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.