
- BRKM5 reage com força à expectativa de entrada da IG4 Capital como nova acionista.
- PRESIQ pode adicionar até US$ 250 milhões ao fluxo de caixa anual da Braskem.
- Mercado vê início de uma possível virada estrutural com novos subsídios e reorganização societária.
A Braskem (BRKM5) voltou ao centro das atenções após um movimento incomum de forte alta na B3, impulsionada por expectativas de mudança de acionista e pela criação de um programa de subsídios para o setor químico. A combinação elevou o otimismo do mercado e devolveu fôlego à companhia, que enfrenta anos de pressão financeira.
No começo da manhã, BRKM5 chegou a saltar mais de 8%, refletindo o entusiasmo com a possível entrada da IG4 Capital no controle e com o avanço do PRESIQ, projeto que pode reforçar significativamente o fluxo de caixa da petroquímica. Horas depois, o papel seguia entre as maiores altas do Ibovespa.
IG4 avança para assumir participação e já prepara nova gestão
A reação inicial veio após a divulgação de que o acordo para a transferência da participação da Novonor para a IG4 Capital deve ser assinado nesta semana. A operação é vista como decisiva para estabilizar a governança da Braskem, que convive com incertezas desde o colapso das minas de sal em Alagoas.
Além disso, a IG4 já teria selecionado uma nova equipe de gestão, indicada pelos principais bancos credores, Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES. O plano prevê uma substituição completa do conselho executivo após a conclusão da transação. Como consequência, o mercado entende que a reestruturação pode abrir caminho para reorganizar dívidas e otimizar o capital.
Por fim, analistas avaliam que a entrada da IG4, apoiada pelos credores, representa um passo crítico para destravar a reestruturação societária, que inclui a possibilidade de reorganizar ações e dívidas da companhia, fortalecendo seu posicionamento no setor petroquímico.
PRESIQ avança no Senado e reforça projeções de caixa
Paralelamente, o Senado aprovou o PL 892/2025, que cria o programa PRESIQ de incentivos para a indústria química. O texto segue para sanção e, segundo analistas, pode oferecer um alívio imediato à Braskem ao complementar sua estrutura de geração de caixa.
Conforme destaca o Bradesco BBI, o PRESIQ pode adicionar cerca de US$ 250 milhões por ano ao FCFE, reforçando a capacidade financeira da petroquímica. Analistas também enxergam o projeto como peça-chave para interromper a recorrente queima de caixa dos últimos anos. Assim, combinada à troca de controle, a medida fortalece a percepção de uma virada estrutural.
Ao mesmo tempo, investidores avaliam que o programa reduz riscos e dá previsibilidade à operação da empresa, elevando a confiança do mercado em relação ao futuro da BRKM5.
Ações seguem em destaque no Ibovespa
No início da tarde, às 13h46, BRKM5 subia 4,37%, sustentando o movimento otimista. O mercado seguia repercutindo a possível assinatura do acordo com a IG4 e o impacto direto do PRESIQ na saúde financeira da companhia.
Nesse contexto, a percepção de que a Braskem poderá contar com injeção de capital, governança renovada e um programa estruturado de subsídios reforçou a leitura de que o pior pode ter ficado para trás. O movimento não elimina desafios, mas abre espaço para uma reconfiguração mais sólida do negócio. Com isso, a empresa retorna ao radar dos investidores em busca de recuperação.
Dessa forma, a combinação de novo acionista, apoio dos bancos credores e estímulos governamentais cria um ambiente mais propício para a retomada operacional, o que explica o interesse renovado pelos papéis BRKM5.