Cenário desafiador

Braskem (BRKM5) vira ‘venda’ no BBI e ação cai; projeção de caixa negativo acende alerta

Banco corta preço-alvo pela metade e vê cenário insustentável até 2027.

braskem GDI
braskem GDI
  • Braskem (BRKM5) é rebaixada para venda pelo BBI
  • Projeção indica queima de caixa até 2027 e alavancagem acima de 10x
  • Preço-alvo cai para R$ 4,00 e ação recua no pregão

A Braskem (BRKM5) entrou no radar negativo do mercado após o Bradesco BBI rebaixar a recomendação da ação para venda (underperform). O movimento veio acompanhado de um corte agressivo no preço-alvo.

Com isso, o valor projetado para 2026 caiu de R$ 8,00 para R$ 4,00 por ação, refletindo um cenário mais desafiador para a petroquímica. No mercado, o papel reagiu e recuava cerca de 3,23%, cotado a R$ 8,69.

Queima de caixa e demanda fraca pressionam tese

O BBI projeta mais um ciclo de queima de caixa, estimando cerca de US$ 1 bilhão até 2026 e outros US$ 600 milhões até 2027.

Além disso, a desaceleração da demanda no mercado químico brasileiro e o aperto dos spreads seguem pressionando os resultados da companhia.

Mesmo com alguns fatores positivos no curto prazo, como tarifas antidumping e impactos da guerra nos preços globais, o banco avalia que os fundamentos continuam frágeis.

Alavancagem preocupa e pode superar 10x

Outro ponto crítico é a estrutura de capital. Segundo o BBI, a alavancagem pode voltar a superar 10 vezes até 2027, o que indica risco elevado.

Ao mesmo tempo, a empresa negocia a 9,1x EV/EBITDA para 2026 e 12,8x para 2027, cerca de 20% acima de pares globais.

Na visão dos analistas, esse prêmio não faz sentido, já que o esperado seria um desconto diante do cenário mais arriscado.

Reestruturação pode afetar acionistas

O relatório também destaca a possibilidade de mudanças relevantes no controle da companhia. A expectativa é que a IG4 Capital assuma a operação, o que pode acelerar decisões estratégicas.

Nesse contexto, uma reestruturação de capital é vista como altamente provável, incluindo alternativas extrajudiciais ou até judiciais.

Por fim, o principal risco positivo seria a manutenção de spreads elevados por mais tempo. Ainda assim, o banco considera esse cenário pouco provável.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.