Crise elétrica

BYD perde R$ 240 bilhões e corta quase 1 milhão de carros da meta de vendas

Depois de ultrapassar a Tesla, a montadora chinesa enfrenta queda nas vendas, lucros em colapso e pressão regulatória do governo chinês.

Crédito: Depositphotos
Crédito: Depositphotos
  • Concorrência, regulamentação chinesa e barreiras internacionais aumentam desafio da marca para se manter líder.
  • BYD corta quase 1 milhão de veículos da meta anual e registra queda de 33% no lucro líquido.
  • Perda de R$ 240 bilhões em valor de mercado e saída de Warren Buffett pressionam ações.

A BYD enfrenta sua fase mais turbulenta desde 2020. Após superar a Tesla em vendas globais de carros elétricos em 2024, a empresa agora lida com queda de vendas e lucro e precisa ajustar suas estratégias no mercado doméstico.

No terceiro trimestre de 2025, a companhia registrou queda anual de 1,8% nas vendas e viu o lucro líquido recuar 33%, a segunda queda consecutiva. Diante do cenário, a BYD revisou sua meta de vendas para 4,6 milhões de veículos, quase 1 milhão a menos que o previsto.

Impacto financeiro e saída de Buffett

Desde maio, a capitalização de mercado da BYD caiu mais de US$ 45 bilhões, equivalentes a R$ 240 bilhões. A perda de valor ocorreu mesmo com o crescimento internacional da marca e a forte expansão no Reino Unido, que registrou alta de 880% nas vendas em setembro.

Em setembro, a empresa perdeu o posto de maior vendedora da China para a estatal SAIC Motor. Além disso, o bilionário Warren Buffett encerrou sua participação, pressionando ainda mais as ações, que caíram 7% em três dias.

Apesar das perdas, a BYD ainda mantém vantagem competitiva ao produzir suas próprias baterias e chips, evitando problemas de fornecimento que atingem concorrentes.

Desafios domésticos e concorrência

O governo chinês tem atuado contra guerras de preço extremas, impondo prazos de pagamento mais curtos e práticas comerciais mais rígidas. A BYD, que dependia de margens reduzidas para vender grandes volumes, precisou se adaptar rapidamente.

Além disso, internamente, a marca enfrenta concorrentes como Geely, Leapmotor e a nova entrante Xiaomi, enquanto tenta escoar estoques antigos até 2026, ano previsto para a chegada de novos modelos.

Mesmo com portfólio que vai de hatches de R$ 50 mil a superesportivos de R$ 1,2 milhão, a BYD precisa provar que consegue manter liderança em um mercado mais competitivo e regulado.

Cenário global e perspectivas

No exterior, a empresa enfrenta restrições na Europa e no México, enquanto os EUA mantêm bloqueio quase total a seus modelos por tarifas e regras tecnológicas.

A BYD se mantém forte internacionalmente, mas o crescimento externo ainda não compensa o desafio interno e as pressões regulatórias.

Ademais, o mercado espera que 2026, com nova geração de modelos e avanços tecnológicos, marque um ponto de virada para a empresa chinesa.

Até lá, a BYD terá que se reinventar sem perder a velocidade que a colocou no topo.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.