
- Venda do controle da CBA (CBAV3) ocorre a R$ 10,50 por ação, quase sem prêmio
- OPA obrigatória será lançada, com intenção inicial de fechamento de capital
- Upside de curto prazo é limitado, apesar do ganho de governança e escala
A CBA (CBAV3) anunciou a venda do controle pela Votorantim para uma joint venture entre Rio Tinto e Chinalco, em operação avaliada em R$ 10,7 bilhões. O preço-base acordado foi de R$ 10,50 por ação, praticamente em linha com a cotação atual e com o preço-alvo do Santander para 2026.
A transação envolve a alienação de 68,6% do capital e ainda depende de aprovações regulatórias no Brasil e no exterior. Como consequência direta da mudança de controle, os compradores deverão lançar OPA obrigatória para os minoritários, com intenção inicial de fechamento de capital, conforme as regras do Novo Mercado.
Preço já reflete o negócio
O prêmio embutido na operação é mínimo, cerca de 1,4% acima da cotação, o que leva o Santander a classificar o evento como neutro para o papel no curto prazo. O valuation implícito considera preço de alumínio de US$ 2.650 por tonelada no longo prazo.
Mesmo após a alta de 107% em 12 meses, o banco mantém recomendação outperform, mas reconhece que o espaço para reprecificação imediata é limitado, dado que o preço da OPA praticamente ancora o papel.
O que muda na tese
A entrada de Rio Tinto e Chinalco reforça governança, escala e acesso a capital, além de destravar potencial estratégico em projetos de mineração. O destaque é o projeto de bauxita Rondon, no Pará, com capacidade estimada de 4,5 milhões de toneladas por ano e capex de US$ 2 bilhões.
Segundo o Santander, a localização próxima à Estrada de Ferro Carajás aumenta a atratividade logística do ativo e pode ganhar relevância sob o novo controle, embora isso ainda não altere o valuation-base no curto prazo.
Riscos seguem no radar
Apesar da mudança acionária, os riscos estruturais permanecem. O banco cita volatilidade do alumínio, demanda global, custos de insumos e política industrial da China como fatores-chave para a tese da CBA (CBAV3).
Ainda assim, o negócio consolida a companhia no radar global do setor, com controle nas mãos de dois dos maiores players mundiais em metais e mineração.