
- Reversão da liquidação pode atrasar pagamentos do FGC e elevar a incerteza dos investidores
- CDBs do Master somam cerca de R$ 50 bilhões, com modelo baseado em captação agressiva
- Interferência judicial preocupa o mercado e levanta dúvidas sobre a autonomia do BC
A possível reversão da liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central (BC) em novembro, reacendeu o temor de prejuízo entre investidores de CDBs da instituição. Especialistas avaliam que, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) anule a medida, o risco para o investidor aumenta, sobretudo por atrasos no pagamento e maior insegurança jurídica.
O alerta ganhou força após o ministro Dias Toffoli determinar uma acareação entre executivos do banco e um diretor do BC, gesto que levantou questionamentos no mercado sobre interferência judicial em decisões do regulador. Embora Toffoli tenha recuado e delegado a decisão à polícia, a incerteza permaneceu.
Liquidação, CDBs e o papel do FGC
O BC liquidou o Banco Master sob alegação de grave crise de liquidez e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.
O banco cresceu com emissão agressiva de CDBs, oferecendo taxas acima da média, enquanto direcionava recursos a ativos de baixa liquidez.
Até março, o estoque de CDBs somava cerca de R$ 50 bilhões. Com a liquidação em vigor, investidores aguardam o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF via FGC.
Contudo, se a Justiça reverter a medida antes da consolidação dos pagamentos, a responsabilidade volta ao banco, o que tende a atrasar desembolsos.
Risco maior e confiança abalada
Especialistas apontam que a reversão não garante o pagamento dos CDBs e apenas desloca o risco.
Para honrar os passivos, o Master precisaria retomar a captação, algo difícil após as investigações e a perda de confiança.
Além disso, analistas alertam que uma anulação colocaria em xeque a independência do Banco Central, o que poderia afastar capital estrangeiro e aumentar a judicialização de decisões técnicas no sistema financeiro.