Bem posicionada

Chevron (CHVX34) vira favorita na Venezuela após queda de Maduro, mas retorno não será imediato

Decisão tomada em 2007 coloca a petroleira em posição única para capturar ganhos no médio e longo prazo.

Chevron (CHVX34) vira favorita na Venezuela após queda de Maduro, mas retorno não será imediato
  • Chevron (CHVX34) é a empresa mais bem posicionada na Venezuela
  • Ganhos dependem de transição política e levam anos para aparecer
  • Mercado antecipou cenário positivo, mas riscos seguem elevados

A Chevron (CHVX34) surge como a empresa mais bem posicionada para se beneficiar de uma eventual reabertura da indústria de petróleo da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Ainda assim, analistas alertam que os ganhos não serão rápidos e dependem de uma transição política estável.

Apesar do forte otimismo inicial do mercado, especialistas afirmam que o impacto financeiro relevante deve levar anos, diante de entraves regulatórios, infraestrutura degradada e incertezas institucionais.

Decisão de 2007 vira trunfo

Quando Hugo Chávez nacionalizou o setor de petróleo, em 2007, a Chevron optou por permanecer no país, aceitando participação minoritária em joint ventures com a PDVSA.

Em contraste, Exxon Mobil e ConocoPhillips deixaram a Venezuela e iniciaram arbitragens.

Agora, quase duas décadas depois, essa estratégia pragmática coloca a Chevron em vantagem competitiva caso o país adote uma agenda pró-negócios alinhada aos EUA.

Por isso, analistas veem a companhia como candidata natural a liderar uma retomada gradual do setor.

Produção relevante, retorno limitado

Atualmente, a Chevron produz entre 200 mil e 250 mil barris por dia na Venezuela, cerca de 20% da produção nacional, mas menos de 10% do total global da empresa. Assim, o peso do país nos resultados ainda é reduzido.

Além disso, a empresa não controla diretamente as reservas, o que limita a monetização do petróleo extraído. Grande parte da produção segue vinculada a mecanismos de recuperação de dívidas e compliance.

Dessa forma, mesmo em um cenário político favorável, o efeito sobre lucros e valuation tende a ser gradual.

Mercado reage antes do tempo

No pré-mercado, as ações da Chevron (CHVX34) chegaram a indicar alta de 11%, acompanhadas por Valero e ConocoPhillips. O movimento reflete a expectativa de uma mudança estrutural no país.

No entanto, analistas reforçam que a Venezuela ainda produz apenas 1 milhão de barris por dia, menos de 1% da oferta global, apesar de deter mais de 300 bilhões de barris em reservas.

Portanto, qualquer virada relevante exige anos de investimentos, segurança jurídica e reconstrução da infraestrutura.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.