
- Analistas veem mais espaço para alta em ANIM3 do que em COGN3 no curto prazo.
- Cogna (COGN3) apresentou bons resultados, mas investidores realizaram lucros após alta de 240% no ano.
- Ânima (ANIM3) superou margens e fluxo de caixa, mantendo recomendação de compra pela maioria das casas.
A manhã no mercado educacional foi marcada por um contraste raro. A Cogna (COGN3) apresentou resultados fortes, mas viu suas ações despencarem quase 5% após investidores realizarem lucros. Já a Ânima (ANIM3) surpreendeu com margens robustas e geração de caixa acima das expectativas, levando suas ações a dispararem quase 7%.
Mesmo com os números sólidos, o humor dos investidores divergiu fortemente. A Cogna acumula alta de 240% em 2025, o que explica parte da realização de lucros. Já a Ânima, mesmo com valorização de 130% no ano, segue sendo vista como uma aposta de continuidade, com a maior parte das casas recomendando compra para ANIM3.
Por que Cogna caiu, mesmo com bons resultados?
Os analistas do BTG Pactual, BBI e JPMorgan consideraram o trimestre sólido, com receita líquida de R$ 1,52 bilhão e EBITDA ajustado de R$ 423 milhões, ligeiramente acima do esperado.
No entanto, o fluxo de caixa livre de R$ 300 milhões e a alavancagem em 1,1x não foram suficientes para sustentar o rali de meses.
A queda se deve, segundo analistas, à realização após forte valorização. O mercado também reagiu à política agressiva de financiamento estudantil do PMT (Parcelamento Mensalidades Trimestral), que pode elevar a evasão no próximo ano.
O Morgan Stanley destacou que, apesar do bom desempenho, há incertezas sobre o impacto dessa política nos indicadores de inadimplência e no PDA (Provisão para Devedores Duvidosos), o que trouxe cautela.
Ânima impressiona com margens e fluxo de caixa
A Ânima (ANIM3) entregou EBITDA ajustado 6% acima do consenso da Bloomberg, impulsionado pela performance digital e pela Inspirali. A geração de caixa de R$ 225 milhões e a queda da alavancagem líquida para 2,4x reforçaram o otimismo.
O Bradesco BBI classificou o resultado como “positivo e acima do esperado”, com margem EBITDA de 30% e sólida geração de fluxo de caixa do acionista. O banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 5.
Já o BBA destacou a forte captação no segmento principal e a redução da dívida líquida, mesmo após dividendos e M&As. Para o banco, o desempenho reforça a eficiência operacional e abre espaço para novas valorizações.
Visão do mercado: quem leva vantagem agora
Embora COGN3 tenha mostrado números consistentes, o consenso do mercado indica mais espaço para valorização de ANIM3. Das nove casas que cobrem a ação, sete recomendam compra.
A Cogna, por outro lado, enfrenta revisão de múltiplos e possível pressão sobre margens, mesmo com forte execução operacional. Ainda assim, as casas mantêm visão neutra, com preço-alvo em torno de R$ 4.
Analistas avaliam que o setor de educação segue em ciclo de recuperação, mas que as companhias com maior exposição digital, como a Ânima, tendem a capturar ganhos mais rapidamente no novo cenário regulatório.