
- RAIZ4 caiu 19,05% após divulgação dos detalhes da recuperação
- Credores podem assumir cerca de 83% da empresa
- Plano inclui aporte da Shell e divisão dos negócios da Raízen
A Raízen (RAIZ4) sofreu uma forte pressão na Bolsa na última quinta-feira (28) após detalhar seu plano de recuperação extrajudicial. As ações encerraram o pregão com queda de 19,05%, cotadas a R$ 0,34, após chegarem a recuar mais de 21% durante a sessão.
O mercado reagiu negativamente aos detalhes da reestruturação, especialmente ao potencial de diluição dos atuais acionistas e à transferência do controle da companhia para os credores.
Credores podem ficar com mais de 80% da empresa
A Raízen informou que possui uma dívida total de R$ 75,35 bilhões, sendo R$ 65,4 bilhões incluídos no processo de recuperação extrajudicial.
Pela proposta apresentada, 45% da dívida reestruturada poderá ser convertida em ações ao preço de R$ 0,25 por papel. Segundo estimativas do UBS BB, os credores poderão terminar com cerca de 83% da companhia, equivalente a aproximadamente 72% das ações ordinárias.
Além disso, a Shell deverá aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto um veículo ligado à Aguassanta Investimentos, de Rubens Ometto, poderá investir mais R$ 500 milhões.
Reestruturação inclui divisão dos negócios
O plano também prevê a separação da empresa em duas companhias: Raízen Energia e Raízen Combustíveis, após a conclusão da reestruturação.
A proposta ainda estabelece uma nova estrutura de governança, com os credores indicando quatro dos sete membros do conselho de administração, incluindo o presidente do colegiado.
Apesar de a atual diretoria permanecer na gestão, os credores terão poder de supervisão e veto sobre temas considerados relevantes para a companhia.