
- Dívida líquida cai 57%, e a companhia prepara nova oferta de R$ 1,3 bilhão ainda nesta semana.
- Cosan (CSAN3) levanta R$ 9 bilhões em oferta primária, com demanda 10x superior entre investidores institucionais.
- BTG Pactual, Perfin e Rubens Ometto lideram a operação; lockups garantem estabilidade no controle.
A Cosan (CSAN3) concluiu com sucesso a precificação de seu follow-on, levantando R$ 9 bilhões em uma oferta primária que movimentou o mercado e atraiu uma demanda dez vezes superior ao book institucional. O aumento de capital reforça o caixa da holding e marca um passo decisivo na estratégia de redução de alavancagem.
A operação contou com a entrada de BTG Pactual (BPAC11) e Perfin, que aportaram juntos R$ 6,5 bilhões. Assim, o controlador Rubens Ometto, via seu family office Aguassanta, investiu mais R$ 750 milhões. Desse modo, o aporte reforçou a confiança na empresa e em seu plano de reestruturação financeira.
Follow-on bilionário e forte demanda do mercado
A oferta foi precificada a R$ 5 por ação, um desconto de quase 20% em relação ao preço de tela. Além do valor inicial, houve um hot issue de R$ 1,8 bilhão. Metade foi destinada ao varejo e a outra metade aos investidores institucionais. Esses investidores sozinhos fizeram ordens próximas de R$ 10 bilhões, mostrando grande interesse pelos papéis da empresa.
Com o follow-on, a demanda total foi o dobro da oferta. A predominância de fundos locais long-only, responsáveis por 67% do book, reforça a confiança do mercado doméstico na empresa. Já os fundos internacionais responderam por apenas 7% da demanda, segundo fontes próximas à operação.
O BNDES também participou da alocação, embora o valor do investimento não tenha sido divulgado. A Cosan ainda prepara uma segunda oferta ao mercado, estimada em R$ 1,3 bilhão, elevando a injeção total de capital a mais de R$ 10 bilhões.
Reestruturação financeira e lockups estratégicos
Para garantir estabilidade no bloco de controle, a Cosan impôs lockups de longo prazo: quatro anos sobre metade das posições de BTG e Perfin, e três meses sobre a outra metade. Já as ações destinadas ao mercado terão restrições de dois anos para metade da posição.
Essas medidas visam preservar o equilíbrio acionário e evitar pressões de venda no curto prazo, enquanto a companhia executa seu plano de desalavancagem. A injeção de recursos permitirá reduzir em 57% a dívida líquida, que encerrou o segundo trimestre em R$ 17,5 bilhões.
Segundo fontes próximas à empresa, a Cosan também avalia a venda de participações em alguns ativos, o que deve reduzir a alavancagem para perto de zero nos próximos anos e aumentar a cobertura de juros da dívida.
O que muda para o grupo e para o mercado
A capitalização marca um ponto de virada na estratégia da Cosan, dona de Raízen (RAIZ4), Rumo (RAIL3) e Compass (PASS3). A estrutura financeira mais leve deve ampliar a capacidade de investimento e reduzir a pressão sobre o fluxo de dividendos das subsidiárias.
Com a operação, a holding reforça sua posição como uma das principais consolidadoras de infraestrutura e energia do país, com apoio institucional expressivo e maior liquidez em seus papéis. Ademais, o movimento também é visto como um sinal de confiança dos investidores institucionais no plano de longo prazo de Rubens Ometto.
Por fim, o mercado aguarda os próximos movimentos da companhia. Então, a empresa pode usar parte do novo caixa para otimizar sua carteira de participações. Além disso, ela também pode buscar oportunidades em energia, logística e biocombustíveis.