
- CRAs da MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3) passaram a pagar taxas maiores
- Mercado elevou percepção de risco sobre setor de proteínas
- Ciclo do gado, China e Europa pressionam frigoríficos
Os certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs) ligados à MBRF (MBRF3) e à Minerva (BEEF3) passaram a operar com taxas significativamente maiores nas últimas semanas.
Segundo análise do Itaú BBA, os spreads do setor abriram cerca de 120 pontos-base desde meados de março.
Mercado aumentou percepção de risco
Na prática, o movimento mostra que investidores passaram a exigir remuneração maior para carregar títulos ligados ao setor de proteínas.
Além disso, os papéis de MBRF, Minerva e outras empresas do segmento passaram a negociar entre os maiores yields do mercado comparável.
O cenário reflete preocupações crescentes com margens, exportações e ciclo pecuário.
Ciclo do gado virou principal pressão
O principal fator por trás da reprecificação envolve a menor oferta de animais para abate no Brasil.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o rebanho segue próximo das mínimas históricas, o que mantém pressão sobre custos da indústria global de proteínas.
Esse cenário já começou a aparecer nos resultados recentes das companhias do setor.
China e Europa aumentam incerteza
Outro ponto de atenção envolve as exportações brasileiras para a China.
Segundo o Itaú BBA, o país asiático já utilizou parte relevante da cota de importação de carne bovina brasileira definida para 2026.
Além disso, a União Europeia também passou a pressionar o Brasil por regras ligadas ao uso de antimicrobianos, aumentando o risco de novas restrições comerciais.
Liquidez ainda reduz preocupação maior
Apesar da piora no cenário operacional, o banco avalia que as empresas seguem com posição de caixa confortável e vencimentos de dívida bem distribuídos.
Isso reduz, por enquanto, o risco de pressão financeira mais severa sobre frigoríficos.
Enquanto isso, o segmento de aves segue em situação mais favorável, apoiado pela queda nos custos de grãos e pela demanda externa aquecida.