
- Empresa mira novas demandas, como data centers e projetos solares.
- Axia (AXIA3) entra em fase de expansão após reorganização interna.
- Megaleilões de transmissão voltam ao radar, com possibilidade de parcerias.
A Axia Energia (AXIA3) entrou em uma nova fase de crescimento e colocou no radar os maiores leilões de transmissão do país. Após anos dedicados à reorganização, redução de riscos e finalização de obras atrasadas, a companhia retomou o apetite por expansão.
Com o ambiente interno mais estável, a empresa começou a mirar projetos de grande porte, inclusive megablocos bilionários, e admite avaliar parcerias estratégicas para reduzir risco financeiro e acelerar retorno operacional.
Axia abre nova etapa e volta a mirar expansão
A mudança de marca e o fim do ciclo de reestruturação criaram espaço para que a AXIA3 voltasse a olhar para crescimento. Assim, a administração trabalha agora com duas agendas paralelas: manter ganhos de eficiência e preparar terreno para novos investimentos. A distribuição recorde de dividendos reforça o novo momento, segundo o CEO Ivan Monteiro.
Além disso, a companhia seguirá atacando custos de PMSO, o passivo do empréstimo compulsório e ajustes internos. Entretanto, essa agenda passa a dividir prioridade com os novos vetores de expansão. A estratégia marca o fim do período de “arrumação da casa” após a privatização.
Com o risco operacional reduzido, a empresa entende que o momento é propício para buscar oportunidades maiores. Portanto, a Axia voltou a mirar os leilões de transmissão que devem voltar a ofertar megaprojetos a partir de 2026.
Megaleilões podem ter parcerias estratégicas
A Axia demonstra interesse especial no novo bipolo entre Nordeste e Sul, estimado em R$ 26,5 bilhões. Segundo Monteiro, empreendimentos desse porte exigem estruturas de capital mais robustas, o que torna parcerias uma opção natural, apesar de o tema ainda não ter sido formalmente discutido pelo conselho.
Ele destacou que projetos muito grandes elevariam o endividamento caso fossem disputados sozinhos. Dessa forma, a busca por composição com outros players ganha força, como ocorre no setor de óleo e gás, em que até gigantes formam consórcios.
A Axia, que já opera 74 mil km de linhas de transmissão, deve investir R$ 10 bilhões este ano e busca manter esse ritmo. Portanto, a companhia observa de perto cada nova licitação e reforça que grandes obras são alvo prioritário.
Data centers, renováveis e novas demandas no radar
Além dos leilões, a Axia pretende ampliar aportes nos ativos atuais, fortalecendo confiabilidade e disponibilidade, iniciativas que oferecem retorno de baixo risco. Em paralelo, a empresa estuda oportunidades adicionais, como projetos de energia solar ou ativos renováveis já desenvolvidos.
O interesse também cresce sobre novos vetores de demanda, como data centers, hidrogênio verde e eletrificação industrial. A companhia já assessora projetos no setor e possui memorandos de entendimento para possíveis parcerias.
Para isso, a Axia desenvolve o que chamou de “funding intelectual”, preparando-se para o salto tecnológico do setor elétrico, marcado por redes inteligentes, geração distribuída e maior participação das renováveis.