
- Mercado de GNL deve expandir 50% até 2030, impulsionado por data centers e IA.
- Demanda global de petróleo e gás pode crescer até 2050, contrariando previsões anteriores da IEA.
- Preço do petróleo recua com o Brent a US$ 64,50 e o WTI a US$ 60,39 nesta quarta-feira.
A Agência Internacional de Energia (IEA) revisou nesta quarta-feira (12) suas estimativas sobre o futuro do setor energético global. Segundo o novo relatório, a demanda por petróleo e gás deve continuar crescendo até 2050, contrariando projeções anteriores que apontavam para um pico já nesta década. A agência alerta que, sob o ritmo atual, as metas climáticas dificilmente serão cumpridas.
Nos últimos anos, a IEA enfrentou pressões políticas dos Estados Unidos. Durante o governo Donald Trump, o incentivo à produção de combustíveis fósseis prevaleceu, enquanto a gestão Joe Biden priorizou energia limpa. Agora, com a revisão das previsões, a agência reconhece que o mundo ainda depende fortemente dos combustíveis fósseis.
Petróleo recua nos mercados internacionais
No início desta manhã, o petróleo tipo Brent recuava 1,03%, cotado a US$ 64,50 o barril, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, caía 1,05%, negociado a US$ 60,39. O movimento reflete ajustes técnicos e preocupações com o ritmo de consumo global.
Analistas afirmam que o mercado ainda reage à volatilidade da demanda e ao avanço de novas tecnologias de energia. Mesmo assim, a oferta segue elevada, o que pressiona os preços no curto prazo.
O cenário reforça o desafio de conciliar crescimento econômico e sustentabilidade, especialmente diante das metas ambientais em desaceleração.
Relatório da IEA muda abordagem sobre políticas climáticas
No relatório World Energy Outlook, a agência indica que, sob as políticas atuais, a demanda global de petróleo pode chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, cerca de 13% acima dos níveis de 2024. A demanda de energia total deve crescer 90 exajoules até 2035, um salto de 15%.
Diferente de estudos anteriores, a IEA descartou cenários baseados em promessas futuras, citando falta de planos concretos entre 2031 e 2035. Assim, o relatório considera apenas políticas realmente implementadas ou anunciadas, o que representa uma abordagem mais realista, porém menos otimista.
Mesmo assim, a agência ressalta que seus cenários são projeções, não previsões definitivas, e dependem da capacidade dos países em transformar metas em políticas públicas efetivas.
Gás natural liquefeito ganha força até o fim da década
O relatório também destaca o avanço dos investimentos em gás natural liquefeito (GNL). Até 2030, novos projetos somando 300 bilhões de m³ em capacidade de exportação devem entrar em operação, um aumento de 50% sobre o volume atual.
Com isso, o mercado global de GNL deve saltar de 560 bilhões de m³ em 2024 para 880 bilhões em 2035, alcançando 1.020 bilhões em 2050. Ademais, esse avanço será impulsionado, segundo a IEA, pelo crescimento dos data centers e da inteligência artificial, setores que exigem cada vez mais energia estável e contínua.
Por fim, para a agência, o gás natural continuará sendo um combustível de transição crucial nas próximas décadas, apesar das pressões por descarbonização.