Tempestade prevista

Do AAA ao default em meses: como a crise da Raízen (RAIZ4) expôs o atraso do mercado de crédito

Caso de R$ 65 bilhões mostra como indicadores anteciparam deterioração antes das agências.

Photographer: Victor Moriyama/Bl/Victor Moriyama
Photographer: Victor Moriyama/Bl/Victor Moriyama
  • Raízen (RAIZ4) entrou em recuperação extrajudicial de R$ 65 bilhões
  • Spreads da RAIZ13 saltaram de 0,35% para mais de 11% antes do default
  • Fluxo de caixa virou de +R$ 6,2 bilhões para cerca de -R$ 10 bilhões

A Raízen (RAIZ4) entrou para a história do mercado brasileiro ao protocolar uma recuperação extrajudicial de R$ 65 bilhões, a maior já registrada no país.

Ainda assim, uma análise dos indicadores de crédito mostra que os sinais de deterioração surgiram meses antes do default, muito antes das agências de rating reagirem.

Spreads dispararam antes do colapso

Primeiramente, o mercado de crédito já indicava deterioração clara.

O spread da debênture RAIZ13 saltou de 0,35% em maio de 2025 para mais de 11% em fevereiro de 2026. Dessa forma, o mercado secundário passou a precificar um risco de crédito muito mais elevado.

Enquanto isso, as agências ainda mantinham classificações relativamente altas.

Fluxo de caixa virou negativo rapidamente

Além disso, a deterioração operacional ficou evidente no caixa da empresa.

A Raízen (RAIZ4) saiu de geração positiva de R$ 6,2 bilhões no final de 2024 para queima de cerca de R$ 10,2 bilhões em 2026.

Consequentemente, a capacidade de sustentar a dívida se deteriorou rapidamente, pressionando a estrutura financeira.

Downgrades vieram apenas depois

Somente depois disso começaram os cortes de rating.

Primeiro vieram revisões negativas, depois a perda do grau de investimento e, por fim, sucessivos rebaixamentos até o Selective Default.

Ou seja, o mercado e os indicadores já apontavam deterioração muito antes das agências reconhecerem o problema.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.