
- Dólar toca R$ 5,58 com saída de recursos do país
- Remessas, Ptax e baixa liquidez ampliam a volatilidade
- Real tem um dos piores desempenhos do dia entre moedas líquidas
O dólar comercial avançou nesta segunda-feira (29) e chegou a tocar R$ 5,58 na máxima, refletindo um forte fluxo de saída de recursos do país.
Com isso, o real apareceu entre as moedas com pior desempenho da sessão, entre 33 divisas mais líquidas, enquanto investidores buscaram proteção em meio ao fim do ano e à menor liquidez.
Fluxo de saída ganha força
Por volta das 12h40, o dólar subia 0,52%, cotado a R$ 5,5725, após atingir a máxima de R$ 5,5820.
Segundo operadores, o movimento ocorre, principalmente, pela alta demanda por dólar comercial. Além disso, remessas de lucros e dividendos ao exterior aumentaram neste período.
No cenário externo, o real ficou entre as três moedas com pior desempenho do dia, atrás apenas do baht tailandês e do peso chileno, enquanto parte das moedas emergentes também se desvalorizou.
Ptax e demanda elevam volatilidade
Além disso, a pressão no dólar casado reforçou o movimento de alta. Segundo o diretor de tesouraria da Travelex, Marcos Weight, a operação indicou demanda intensa pela moeda americana.
Nesse sentido, o casado operava negativo em 0,50 ponto, o que significa que o dólar à vista estava mais caro que o futuro, situação considerada incomum.
Ao mesmo tempo, o mercado ajusta posições para a formação da Ptax, taxa de referência do Banco Central. Assim, a volatilidade aumenta no curto prazo.
Liquidez reduzida amplia pressão
Por fim, a baixa liquidez típica do fim do ano intensificou os movimentos no câmbio.
Sendo assim, com menos negócios, pequenas ordens geram oscilações maiores.
Além disso, empresas anteciparam remessas ao exterior para evitar impactos da nova tributação sobre lucros e dividendos, que entra em vigor no próximo ano.
Com isso, a pressão sobre o real permaneceu elevada.