
- Engie (EGIE3) venceu dois lotes e liderou entre as empresas listadas
- Deságio médio de ~50% pressiona retorno dos projetos
- TIR estimada entre 7% e 8% é vista como modesta pelo mercado
O primeiro leilão de transmissão da Aneel em 2026 confirmou a forte competição no setor. Apesar da vitória da Engie (EGIE3), analistas enxergam retornos pressionados e bem abaixo do histórico.
O certame trouxe deságio médio de cerca de 50%, um dos mais elevados dos últimos anos. Assim, o mercado reagiu com cautela, mesmo diante do apetite das empresas pelos ativos.
Deságio alto reduz retorno dos projetos
O leilão ofertou cinco lotes, com investimentos estimados em R$ 3,5 bilhões. Além disso, os projetos somam cerca de 859 km em linhas e mais de 4.300 MVA em capacidade.
A Engie (EGIE3) saiu como principal vencedora entre as listadas. A companhia levou dois lotes, com investimento próximo de R$ 1,6 bilhão e deságio médio ao redor de 53%.
No entanto, analistas destacam que esse nível de desconto pressiona a rentabilidade. Segundo estimativas, os projetos podem entregar TIR real entre 7% e 8%, o que é considerado modesto para o setor.
Mercado vê competição elevada e risco de retorno baixo
A disputa acirrada marcou o leilão, com nomes como Alupar (ALUP11), Taesa (TAEE11) e Axia (AXIA3) tentando levar ativos. Ainda assim, apenas a Engie conseguiu arrematar lotes relevantes.
Além disso, bancos apontam que o cenário atual favorece empresas mais seletivas. O Goldman Sachs, por exemplo, prefere companhias expostas a segmentos menos competitivos.
Nesse contexto, o banco mantém recomendação negativa para Engie (EGIE3). Por outro lado, destaca nomes como Eneva (ENEV3), Sabesp (SBSP3), Copel (CPLE3) e Equatorial (EQTL3) como mais atrativos.
Leilão forte, mas tese segue limitada
Apesar do sucesso operacional do leilão, o retorno financeiro segue como principal preocupação. Dessa forma, investidores aguardam mais detalhes das empresas sobre ganhos de eficiência.
Além disso, analistas ressaltam que melhorias operacionais podem elevar a rentabilidade. Porém, isso depende diretamente da execução e controle de custos ao longo dos projetos.
Assim, o leilão reforça a tese de que o setor segue competitivo. Mas, ao mesmo tempo, exige disciplina na alocação de capital para evitar destruição de valor.