Recuperação

Esta empresa está dando a volta por cima e investidores ainda não perceberam

Companhia controlada pela família Bueno volta a mostrar avanço operacional, melhora margens e reduz dívida após reestruturação intensa.

Inteligência Artificial e Saúde - Reprodução: Freepik
Inteligência Artificial e Saúde - Reprodução: Freepik
  • Investidores estrangeiros voltam a apostar na recuperação da companhia.
  • Viveo (VVEO3) melhora margens e reduz dívida após fase difícil.
  • Gestão foca em rentabilidade, renegociando contratos e cortando operações ruins.

Depois de um ciclo intenso de aquisições, a Viveo (VVEO3) entrou em turbulência. A distribuidora de materiais hospitalares e medicamentos, controlada pela família Bueno, enfrentou dificuldades para integrar as empresas compradas e viu seu EBITDA desabar.

Agora, a empresa inicia uma nova fase. Os números do terceiro trimestre mostram melhora de margens, geração de caixa positiva e redução gradual da dívida. O movimento começa a restaurar a credibilidade da gestão e reacende o interesse de investidores.

Recuperação consistente

A Viveo reportou sua melhor margem bruta em dois anos, saltando de 13,2% para 14,7%. As despesas operacionais subiram apenas 1,8%, abaixo da inflação, o que reforçou o controle de custos e ampliou a margem EBITDA para 6,1%.


Viveo 1
A Viveo ampliou margens, gerou caixa e reduziu dívidas, indicando retomada de crescimento e expectativa otimista para o quarto trimestre, segundo o CEO Leonardo Byrro.

Sendo assim, a companhia também gerou R$ 167 milhões em caixa livre e reduziu o endividamento em cerca de R$ 50 milhões. Com isso, a alavancagem caiu para 4,17x, sinalizando um avanço real.

Desse modo, segundo o CEO Leonardo Byrro, o quarto trimestre deve vir ainda mais forte. “Outubro foi excelente, com retomada das vendas e margens melhores. A operação voltou a crescer com rentabilidade”, disse.

Foco na rentabilidade

Para corrigir erros passados, a Viveo decidiu priorizar lucro em vez de crescimento acelerado. Nesse sentido, a empresa renegociou contratos com margens baixas, reduziu prazos de recebimento e saiu de negócios pouco rentáveis, como o de fraldas descartáveis.

“Alguns clientes aceitaram as novas condições; outros diminuíram o volume”, afirmou Byrro. “Mesmo assim, perdemos menos vendas do que esperávamos, já que concorrentes também ajustaram seus preços.”

Embora o faturamento tenha caído 8% no trimestre, a margem e o caixa melhoraram. Portanto, com mais disciplina, a companhia busca retorno sobre o capital e estabilidade operacional.

Mercado começa a reagir

Apesar do progresso, a ação VVEO3 ainda acumula queda de 32% no ano e 42% em 12 meses, refletindo a cautela do mercado.

Por outro lado, essa desvalorização atraiu novos investidores. Ademais, a gestora americana Perea Capital, de Houston, comprou 10% da Viveo e acredita que o pior já passou. “A empresa de hoje ainda parece alavancada, mas o futuro será diferente”, afirmou o fundador Omar Musa.

Por fim, com DNA Capital, Dynamo e GIC no capital, a estrutura acionária segue sólida. Musa resume a visão otimista: “A gestão está focada no turnaround, e os resultados começam a comprovar isso.”

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.