
- Setor avícola ganha tração, com Mantiqueira e outras empresas entrando no mercado europeu
- MBRF volta a habilitar 12 plantas para exportação à Europa com o novo pre-listing
- Prêmio europeu perto de 25% deve elevar a rentabilidade e impulsionar a margem EBITDA
A liberação do sistema de pre-listing para exportações brasileiras de frango e ovos reabriu, após anos, as portas da União Europeia para a MBRF. A mudança encerra um ciclo de bloqueios que começou em 2018, quando as antigas plantas da BRF foram suspensas pela UE após a Operação Trapaça.
Agora, com o aval para que o Ministério da Agricultura faça a habilitação direta das fábricas, a empresa volta ao radar de um dos mercados mais rentáveis do mundo, o que deve elevar significativamente sua margem EBITDA já em 2026.
A reabertura muda o jogo para a nova MBRF
A adoção do pre-listing elimina a necessidade de auditorias europeias e devolve à companhia a chance de reabilitar as 12 plantas bloqueadas desde 2018. A retomada deve ocorrer nas próximas semanas, o que acelera a recomposição da presença da empresa no mercado europeu.
Além disso, o processo marca a etapa mais importante desde a fusão entre Marfrig e BRF, porque recoloca a MBRF em um segmento de maior exigência técnica e de maior rentabilidade. Como a Europa já enfrenta restrições de oferta por causa da gripe aviária, o timing favorece as exportações brasileiras.
Consequentemente, a empresa passa a reorganizar a distribuição internacional, priorizando mercados com prêmio superior e potencial de retorno mais rápido. No curto prazo, essa realocação tende a elevar as margens de forma acima do esperado.
Margens sob pressão positiva com prêmio europeu recorde
O prêmio de preço pago pela Europa costuma variar entre 10% e 30%, mas hoje está próximo de 25%, patamar considerado quase histórico. Isso permite que a MBRF aumente a rentabilidade sem necessidade de ampliar volumes imediatamente.
De acordo com fontes próximas à companhia, o impacto pode adicionar 100 a 200 pontos-base à margem EBITDA já no próximo ano, caso as habilitações ocorram ainda em janeiro. A empresa pretende recuperar, gradualmente, o espaço que ocupava antes das restrições.
Em 2017, a então BRF detinha mais de 40% do mercado europeu de peito de frango importado do Brasil. Apesar da concorrência maior, o objetivo interno é recuperar parte desse terreno, aproveitando a vantagem competitiva do prêmio europeu.
Oportunidades também aparecem fora da MBRF
O avanço do pre-listing abre caminho não apenas para a MBRF, mas também para empresas que nunca tiveram acesso à UE. A Granja Mantiqueira, por exemplo, pretende iniciar exportações de ovos para o continente pela primeira vez.
Segundo a companhia, os ovos cage-free, que já atendem às exigências europeias, colocam a Mantiqueira em posição favorável para capturar o forte prêmio pago pelo mercado. Dessa forma, a empresa vê uma janela para aumentar a rentabilidade e reforçar seu posicionamento global.
Essa conjuntura surge após mais de três anos de negociações do Ministério da Agricultura, que acelerou o diálogo com a UE em meio à crise de oferta no continente. Com isso, o Brasil volta a ocupar um papel central na cadeia alimentar europeia.