
- Combate à evasão fiscal pode migrar volumes do mercado ilegal para distribuidoras formais
- Experiência da Polônia reforça potencial de ganho estrutural no Brasil
- Vibra (VBBR3) desponta como principal beneficiada pela escala e exposição doméstica
O combate à evasão fiscal no setor de combustíveis avança no Brasil e pode destravar valor relevante para a Vibra (VBBR3), avalia o Bradesco BBI. A leitura do banco é que o país começa a replicar medidas adotadas com sucesso na Polônia, mercado que enfrentava distorções semelhantes.
Nesse cenário, distribuidoras formais tendem a capturar ganho direto de volume e margem. Entre elas, a Vibra (VBBR3) surge como principal beneficiada, devido à escala, capilaridade e exposição ao mercado doméstico.
O que a Polônia fez e por que importa
Em 2016, a Polônia lançou o chamado “Pacote de Combustíveis”, que combinou fiscalização eletrônica, licenciamento obrigatório e responsabilização tributária. Como resultado, o mercado informal perdeu força rapidamente.
Logo após a implementação, o consumo formal de diesel cresceu 18%, refletindo a migração de volumes do mercado ilegal para empresas regulares. Companhias como PKN Orlen e Lotos capturaram a maior parte desse ganho.
Segundo o BBI, o Brasil já avança em direção semelhante, mesmo com maior complexidade regulatória. Ainda assim, o paralelo reforça o potencial de impacto estrutural positivo.
Brasil avança no combate à informalidade
No mercado brasileiro, a evasão envolve importações irregulares, empresas fantasmas e fraudes tributárias. No entanto, o arcabouço legal vem sendo fortalecido de forma progressiva.
Medidas como a Lei Complementar 192, a Lei 15.082/24, além de projetos sobre devedor habitual, nafta e transparência fiscal, ampliam o cerco ao mercado paralelo. Além disso, São Paulo e Minas Gerais adotaram solidariedade tributária, modelo já testado na Polônia.
Embora o desafio permaneça amplo, o banco destaca que os incentivos estão mudando e a informalidade começa a perder espaço.
Por que a Vibra (VBBR3) pode ganhar mais
Para o Bradesco BBI, a Vibra (VBBR3) reúne os principais vetores de captura desse movimento. A empresa possui escala nacional, forte presença logística e maior exposição ao mercado formal.
Além disso, o fechamento de brechas tributárias tende a reduzir a concorrência predatória, sustentando volumes, margens e retorno sobre capital. O efeito é estrutural, não pontual.
Com isso, o avanço regulatório reforça a tese de reprecificação da Vibra, à medida que o mercado passa a enxergar crescimento mais previsível e menor distorção competitiva.