Fim do ciclo

Fechamento: Depois de 15 vitórias seguidas, Ibovespa tropeça; queda surpreende analistas

Após a maior sequência de altas do século, o Ibovespa fecha em leve baixa nesta terça (12), com PETR4 e BBAS3 entre as principais quedas, enquanto B3SA3 dispara com lucro robusto.

Fechamento mercado
  • Cenário externo segue misto, com Nasdaq em baixa e Dow Jones renovando recorde
  • Ibovespa encerra sequência de 15 altas com leve queda de 0,07%, aos 157.632 pontos
  • Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) puxam a realização, enquanto B3 (B3SA3) dispara

O Ibovespa finalmente interrompeu sua impressionante sequência de quinze altas consecutivas, encerrando o pregão desta terça-feira (12) em leve queda de 0,07%, aos 157.632 pontos. Foi o primeiro fechamento negativo desde 21 de outubro, após o índice atingir novas máximas históricas nos últimos dias.

Mesmo com a leve correção, o mercado segue otimista. A queda de PETR4, puxada pelo recuo do petróleo, e a cautela antes do balanço do BBAS3 pesaram sobre o índice, mas o bom desempenho de B3SA3 e VALE3 ajudou a conter as perdas.

Pressão vinda do exterior

A correção no Brasil ocorreu em meio a um cenário misto nos Estados Unidos. O Dow Jones renovou recorde com a expectativa de fim do shutdown do governo, enquanto o Nasdaq recuou pressionado pelas ações de tecnologia. Mesmo com o enfraquecimento em Wall Street, a entrada de capital estrangeiro segue sustentando parte do otimismo local.

Nos bastidores, o avanço das empresas de Inteligência Artificial continua atraindo atenção. A AMD disparou após projetar US$ 100 bilhões em receita com data centers, tentando disputar espaço com a Nvidia no mercado de chips para IA. Essa dinâmica mantém o apetite global por risco, ainda que com ajustes pontuais.

A percepção de que o Banco Central americano pode estender o ciclo de juros estáveis também ajuda a equilibrar os ânimos. Por enquanto, investidores seguem calibrando posições e realizando lucros após o forte rali recente.

Galípolo evita sinalizações e bancos recuam

No cenário doméstico, as atenções se voltaram para o diretor do Banco Central, Gabriel Galípolo, que discursou em dois eventos, reforçando que a política monetária seguirá orientada por dados. A ausência de pistas sobre os próximos passos do Copom manteve a postura cautelosa dos investidores.

O destaque negativo do dia foi o Banco do Brasil (BBAS3), que caiu 2,85% antes da divulgação de seu balanço do terceiro trimestre. A expectativa é de resultados mais fracos em relação aos pares, o que levou também Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) a recuarem. Santander (SANB11) encerrou praticamente estável, com leve queda de 0,03%.

A PETR4 perdeu 2,56%, acompanhando a queda dos preços internacionais do petróleo. Analistas, porém, mantêm recomendação de compra, apostando no novo plano de negócios da estatal. Já a VALE3 subiu 1,11%, sustentada pela alta do minério de ferro.

B3 dispara e varejo entra no radar

Entre as ações de destaque positivo, B3SA3 saltou 4,36%, após divulgar lucro forte no terceiro trimestre, impulsionando o setor financeiro. No campo negativo, CVCB3 desabou 8,33%, após reportar retração na abertura de lojas e custos mais altos. VAMO3 também caiu 2,65%, pressionada pela alavancagem.

Fora do índice, GOLL54 foi o grande destaque, com alta de 13,4%, surpreendendo o mercado com custos menores e operação mais eficiente. A GGBR4 também avançou 0,79%, reforçando a força das siderúrgicas no pregão.

No radar macroeconômico, os dados do setor de serviços mostraram avanço acima do esperado, e o varejo será o próximo teste para medir o ritmo da economia no terceiro trimestre. Se o consumo mantiver fôlego, o Ibovespa pode retomar a trajetória de alta já no próximo pregão.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.