
- Brent superou US$ 80 e gás disparou após choque geopolítico
- Petrobras (PETR4) vende gasolina e diesel abaixo da paridade internacional
- Alta dos combustíveis pode pressionar preços da energia no Brasil
O conflito entre Estados Unidos e Irã provocou um forte choque nos mercados globais de energia e passou a gerar reflexos também no Brasil. A escalada das tensões elevou os prêmios de risco e impulsionou os preços do petróleo e do gás natural.
Nos últimos dias, o Brent superou US$ 80 por barril. Enquanto os preços do gás natural dispararam após a interrupção da produção de GNL pela QatarEnergy, responsável por cerca de 20% da oferta global.
Combustíveis no Brasil podem ficar pressionados
Segundo análise do Itaú BBA, o choque global elevou significativamente os preços de paridade de importação de combustíveis.
Com isso, os preços praticados pela Petrobras (PETR4) passaram a ficar cerca de 22% abaixo da paridade internacional no caso da gasolina e 29% abaixo no diesel.
Apesar da defasagem, o banco avalia que a Petrobras deve evitar reajustes imediatos. Isso devido a política da companhia, que busca reduzir repasses rápidos de volatilidade internacional ao mercado doméstico.
Além disso, o banco afirma que não há risco de desabastecimento de diesel, pois as importações continuam ocorrendo mesmo quando a paridade internacional supera os preços internos.
Energia elétrica também pode sofrer impacto
O choque nos preços de combustíveis também pode afetar o setor elétrico brasileiro. Isso ocorre porque diversas usinas térmicas têm custos indexados aos preços de combustíveis fósseis.
Caso os preços atuais persistam até maio, os analistas do Itaú BBA afirmam que o custo variável de geração das térmicas pode subir de forma relevante, pressionando o preço da energia.
Nesse cenário, a Axia Energia (AXIA3) pode se beneficiar, já que possui grande volume de energia descontratada, o que permitiria capturar preços mais altos no mercado.