
- Oi (OIBR3) foi declarada tecnicamente falida pela 7ª Vara Empresarial do TJ-RJ.
- Credores e a V.tal articulam recurso para reverter a decisão e preservar ativos.
- Futuro da operadora depende da reação judicial e da estrutura de financiamento da nova fase.
A Oi (OIBR3) voltou ao centro das atenções após a decisão da 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) declarar a empresa tecnicamente falida. A juíza Simone Gastesi apontou que a companhia não cumpriu o plano de pagamentos aos credores e teria esvaziado o patrimônio com a venda de ativos estratégicos.
Agora, grandes credores, entre eles bancos, bondholders e a V.tal, se movimentam para tentar reverter a decisão judicial. O grupo prepara uma ofensiva para evitar que o processo de falência se torne definitivo, buscando preservar os ativos e manter a operação de fibra óptica ativa.
Reação imediata do mercado e dos credores
A notícia da falência da Oi caiu como uma bomba no mercado. Fontes próximas aos credores confirmam que há mobilização conjunta para questionar a decisão e tentar suspender os efeitos da sentença. Segundo analistas, o movimento pode abrir um novo capítulo na disputa jurídica mais longa da história corporativa brasileira.
Entre os principais interessados está a V.tal, que é sócia da Oi na rede de fibra óptica e tem participação direta nas receitas operacionais. Além disso. a empresa teme que a falência comprometa contratos bilionários e o fluxo de caixa da joint venture.
Desse modo, apesar da gravidade da decisão, especialistas avaliam que ainda há espaço para negociação. Caso a Justiça aceite o recurso dos credores, a Oi pode ganhar fôlego para uma reorganização extrajudicial, alternativa que já vinha sendo considerada desde 2024.
Juíza aponta descumprimento e esvaziamento patrimonial
Na decisão, a juíza Simone Gastesi destacou que a operadora não cumpriu integralmente o plano de recuperação judicial, aprovado em 2023. Assim, segundo ela, a venda de ativos relevantes, como torres, data centers e parte da operação móvel, esvaziou o patrimônio da companhia e inviabilizou o pagamento dos credores.
Ademais, a magistrada afirmou ainda que a Oi “está tecnicamente falida”, com estrutura de capital desequilibrada e sem condições de manter suas obrigações. A decisão, porém, ainda não transitou em julgado, o que abre espaço para recursos e medidas cautelares.
Portanto, para analistas do setor, o ponto crítico está na falta de fluxo de caixa e no alto endividamento, que ainda ultrapassa R$ 20 bilhões. Mesmo com a reestruturação recente, a Oi segue dependente da performance da V.tal, seu principal ativo remanescente.
Futuro incerto, mas não perdido
Apesar do cenário desfavorável, há possibilidade de reversão. A ofensiva dos credores busca mostrar que a Oi ainda possui ativos valiosos, especialmente na área de infraestrutura digital. Então, se houver aceitação parcial do recurso, o processo pode ser reclassificado para nova recuperação ou plano de liquidação controlada.
Além disso, fontes ligadas à operação indicam que fundos internacionais têm interesse em participar de uma eventual reestruturação, desde que haja segurança jurídica e preservação dos contratos de rede. Isso mantém viva a esperança de uma solução negociada.
Por fim, em meio à turbulência, a Oi tenta preservar clientes e receita, mantendo os serviços de fibra e dados sem interrupção. Para o mercado, o caso será decisivo para definir o futuro da companhia e o impacto sobre a V.tal e credores institucionais.