Possível recuperação

Hapvida (HAPV3) derrete 48%; e agora? Nova aposta vira o jogo após pânico do mercado

Analistas veem queda exagerada e reposicionam tese de compra para oportunidade pós-colapso.

Hapvida HAPV3 perde milhares de clientes
Hapvida HAPV3 perde milhares de clientes
  • Setor segue pressionado por concorrência e regulação, mas estabilização pode destravar valor.
  • HAPV3 caiu 48% em quatro pregões, mas analistas veem reação exagerada e mantêm compra.
  • Goldman e Morgan cortam preços-alvo, mas apontam forte potencial de alta após derrocada.

A Hapvida (HAPV3) viveu dias de turbulência intensa, com uma queda de 48% em apenas quatro pregões. A derrocada começou após o mercado reagir de forma agressiva ao balanço do 3T25, quando as ações despencaram 42,21% em um único dia e recuaram de R$ 32,69 para R$ 17.

Apesar do choque inicial, grandes bancos ajustaram seus modelos e passaram a enxergar espaço para recuperação. Assim, mesmo com premissas mais conservadoras, especialistas afirmam que a derrocada abriu uma nova tese para o papel, não mais baseada na recuperação das operações, mas sim no desconto extremo que surgiu após o estresse.

Analistas revisam projeções, mas mantêm visão positiva

O Goldman Sachs cortou o preço-alvo de R$ 56 para R$ 30, uma redução de 46,43%, incorporando margens piores e a deterioração da operação no Sudeste. Ainda assim, o banco manteve a recomendação de compra ao observar que a queda recente mais do que reflete as incertezas do setor.

Além disso, o Goldman aponta que a ação agora negocia a cerca de 7 vezes o lucro estimado para 2026, patamar considerado descontado. O potencial de alta de 76%, segundo a casa, indica que o movimento recente pode ter sido exagerado.

Na mesma linha, o Morgan Stanley rebaixou o preço-alvo de R$ 59,50 para R$ 25, mas reiterou a compra. O banco vê upside de 47%, mesmo após adotar premissas mais duras para preços, margens e crescimento.

Concorrência forte e regulação ainda pressionam margens

Os analistas destacam que a intensificação da concorrência e o risco regulatório continuam limitando o poder de precificação da Hapvida. As guerras de preços e o mix menos rentável seguem entre os principais fatores que comprimem margens.

Entretanto, a empresa ainda conta com a verticalização e a concentração no Nordeste, o que reduz parte dessas pressões. Mesmo com ventos contrários macroeconômicos, especialistas avaliam que a capacidade de geração de caixa permanece intacta.

Para o Morgan, um 4T25 “normalizado”, sem novas surpresas negativas, pode ser suficiente para recuperar parte da confiança perdida e levar o papel ao novo preço-alvo revisado.

Queda abre oportunidade? Mercado segue dividido

Algumas casas, como BTG Pactual e Bradesco BBI, cortaram as projeções, porém reiteraram compra ao enxergar potencial de valorização significativo após o tombo histórico. A visão central é de que as expectativas estão tão deprimidas que pequenos sinais de estabilidade podem destravar valor.

Outras instituições, como o JPMorgan, preferiram reduzir a recomendação após o balanço, alegando desafios estruturais ainda relevantes. Como resultado, o consenso da LSEG mudou.

Em outubro, havia 11 recomendações de compra e apenas uma neutra. Agora, são 8 compras e 4 manutenções. A leitura majoritária segue positiva, mas cresce o grupo que prefere esperar mais clareza sobre a trajetória operacional.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.